Daí que eu sou uma das remanescentes do orkut.
Não sei bem até quando, mas vou indo.
Que agora a pessoa me ‘add’ porque temos nomes ‘praticamente iguais’, segundo ela. Sendo o sobrenome o mesmo e o nome dela, Krol.
Krol, vejam bem. K-rol, eu acho. Presumo. Assim, na minha ignorância.
Todo um esforço para não ler Cróu.
E daí pela quase que identidade de nomes a pessoa acha que rola toda uma identificação pessoal, sabe como. Incrível isso.
Vejam que a Cróu gosta de jogar vôlei e tomar tererê. Ela lê Poliana Moça e o Mistério da Casa Verde. Juro.
E escuta Nx Zero, Marjorie Estiano, Pitty, Pimentas do Reino (não perguntem), Papas na Língua, Wanessa Camargo, Ivete Sangalo, Victor e Léo (idem). Verdade verdadeira. E assiste Pânico na TV.
Ou seje.
A gente demora duzentos e vinte e cinco anos para entrar neste mundo bizarro, e quando entra, lembra logo de cara porque ficou tanto tempo longe.
Mas eu continuo, não saio, que eu gostcho. Só pode.
17 de outubro de 2007
21 de setembro de 2007
Com tubos de PVC colados ao corpo com fita adesiva, um relógio digital, fios de eletricidade, usando uma peruca loira e óculos de sol e vestindo uma jaqueta feminina, o jardineiro Antônio Marcos dos Santos, 22 anos, ameaçou causar uma explosão. Ele invadiu a casa de uma de suas clientes, na Rua Manoel Bonifácio, Costeira, em Paranaguá, às 6h45 de ontem, e assustou a mulher, de 55 anos.
Marcos limpou o quintal da mulher esta semana e foi pago pelo serviço. Para tentar conseguir mais dinheiro, ele se fantasiou de mulher e foi procurar a cliente. Ao ser atendido, abriu a jaqueta e mostrou a “bomba”, exigindo dinheiro. Sem imaginar que era seu jardineiro, a mulher passou mal. Mesmo assim, conseguiu telefonar para a Polícia Militar.
O capitão Marcelo Figueiredo, do 9.º Batalhão da PM, disse que quando os policiais chegaram, cercaram o rapaz e apontaram armas. Assustado, Marcos urinou na calça, ergueu os braços e avisou que a bomba não era verdadeira. Foi lavrado termo circunstanciado por ameaça e Marcos foi liberado.
No interior do Zaire é assim, tem até homem bomba...
Postado por FER em 4:16 PM 4 comentários
19 de setembro de 2007

Te contar.
E ela veio pra cá, em 2005, quando eu não fazia idéia do desbunde e já tinha gastado todo o meu dinheiro pra ver Eddie na Pedreira.
Seria muito sonhar com o dia em que poderemos desmarcar compromissos profissionais, gritar em alto e bom som “as audiências que se explodam”, pegar um avião numa terça-feira, ir pra Sumpaulo assistir Madeleine e voltar no mesmo dia, sem que isso signifique ainda um rombo nos orçamentos financeiros dos próximos meses?
Postado por MARIANA em 11:50 AM 5 comentários
13 de setembro de 2007
Coisas de papai
Ele faz dessas e até esquece, deve ter ficado uns dias ali, e eu só vi hoje de manhã.
Isso que ele é um homem ocupado, vejam.
Mas o causo é que a gente foi pegar não lembro o que de uma caixa, e veio junto esse Papai Noel, que na verdade é um enfeite de árvore de Natal. Daí ficou dando bobeira por lá e foi o que bastou para a mente fértil de seu Cosme.
É a genética me dizendo que não, não há salvação.
* Pra quem não enxergar ou não entender os hieróglifos: "Onde estou?! O que aconteceu? Quem acelerou o maldito trenó? ... 'Tá tudo muito estranho... ou... será que eu cheguei muito cedo?".
Postado por CAROLINA em 5:18 PM 3 comentários
12 de setembro de 2007
Edward Hooper. "Excursion into Philosophy"
"E estavam em Amsterdã. Abriu os braços. Tão oco. Leve. Poderia sair voando pelo jardim, pela cidade. Só o coração pesando - não era estranho? De onde vinha esse peso? Das lembranças? Pior do que a ausência do amor, a memória do amor."
(Lygia Fagundes Telles, em "Lua Crescente em Amsterdã")
Postado por MARIANA em 10:58 PM 2 comentários
8 de setembro de 2007
Razões & Balanços
Pois dando seqüência à série “Abandono total do blog: a justificativa”, eis que finalmente re-apareço, depois de inacreditáveis e aceleradíssimos três meses e onze dias de sumiço virtual.
A vida, como muito bem disse Merilú, está mais dura do que nunca.
Não só pela correria de sempre com a falta de dinheiro usual, mas principalmente pelo acúmulo de anos da junção desses dois ‘fatores’, que faz a pessoa quase ter um peripaque no auge de seus recém completados vinte e nove anos.
Hora de pensar se vai ser o caso de se passar o resto da vida resolvendo os problemas alheios mesmo. Ou se finalmente vai ser colocado em prática o Plano B, de fugir para a praia e viver de amor & pesca.
Não acredito que chegue a este extremo, mas uma saída alternativa é a solução única que surge, brilhante e piscante, no fim desse túnel praticamente infindo em que nós mesmos nos colocamos. Solução única, bem entendendo, caso se queira chegar saudável aos quarenta. Se isso não for preocupação, o estilo de vida atual pode prosseguir.
Mas, no meu caso, é.
E todas essas reflexões são feitas, somadas à crise da qual inocentemente achei que estava alheia – a da chegada dos inta –, sem que a pessoa tome a decisão de uma mudança radical, porque algo por demais tradicionalista e extremamente careta ainda a prende em seguir a profissão para a qual foi preparada por cinco anos de faculdade, e seis outros de experiência prática.
E não que eu não goste, veja bem, que eu não sou assim tão louca. Há coisas que eu gosto, e muito. Tirando os atendimentos pessoais, os prazos curtos e sucessivos e todo aquele trabalho político de bastidores, eu gosto da coisa toda. Mesmo. Só que tirando tudo isso, sobra uma profissão bem diferente da atual, eis o problema.
Mãs.
Chega da rabugice.
Os vinte e nove me foram muitíssimo generosos e o balanço, no final das contas, é berrantemente positivo. Graças.
Amizades verdadeiras e duradouras. Daquelas que tanta gente passa a vida toda procurando ou tentando se convencer que tem, mas que não sabe nem de longe a felicidade de realmente tê-las. Um alívio, um alento. Ar fresco para se respirar nas turbulências. Né, filhas? E filhos também. Obrigada a vocês então, do fundo do coracebo, por essa coisa toda de a gente se fazer cada vez melhor uns aos outros.
Um amor tranqüilo, sem sabor de fruta mordida, mas daqueles que dão a força que nos falta, que nos faz imaginar como é que passaria por tudo isso sem ele, e agradecer por esta sorte imensa de ter as diarices mais banais acompanhadas de perto por alguém tão afim, sabe como. E de encontrar um companheiro fiel e incansável para se passar por esta existência às vezes tão ingrata. Né, cara de boi?
E a familiagem de ouro, por assim dizer. Criam, alimentam, educam, e depois ainda mantêm as bases e não cansam de receber e entender. O tal do amor incondicional. Acho que também não são todos os que passam por aqui contando com mais esta certeza, esta segurança, não importa como e nem porquê. Então, agradecidas a vocês por primeiro e também, família buscapé.
Duzentos e vinte e cinco assuntos misturados, vinte e nove anos mais confusos e agitados do que nunca, e eis que o balanço positivo surge, pra gente parar de se lamentar por pouco ou quase nada, perto da grandeza das cousas outras.
Postado por CAROLINA em 12:13 PM 5 comentários
5 de setembro de 2007
Ouquei. Abandono total do blog.
Mas há razões. Inúmeras.
Jamais trabalhei tanto em toda-minha-vida, e também passo por período de reclusão quase que total, não fossem os festejos comuns por virem, como o casamento da Anna no sábado, e chá de panela na sexta, e níver de Kerol na quinta e níver da Day no sábado e Mi mudando de cidade na próxima semana, tudo ao mesmo tempo e agora.
Aliás, parabéns e mis felicidades para as aniversariantes e para os nouvos!!
Agitadíííssimo será o feriado da pátria. Nos anteriores em que tentei ir para a praia, caíram raios e trovões, agora que o feriado necessariamente será na terrinha, o sol se abre para nós e é possível usar sandália em Curitiba.
A vida é tão irônica...
E estamos em setembro. E mais um pouco veremos anúncios de Natal.
2007 era previsivelmente o ano das agitações e assim se confirmou, que a vida nunca foi tão dura, minha gente.
Vi um filme lindo, ao menos. Há meses atrás, e me ensaiei algumas vezes pra falar dele aqui, mas...
Baseado no livro “O Véu Pintado” de W. Somerset Maugham, no cinema virou “O Despertar de Uma Paixão”, com Edward Norton e Naomi Watts.
O nome não vai pegar nunca, mas o filme é lindo, a história é linda, e é um respiro no meio do tédio cinematográfico dos últimos tempos.
É isso, então.
A idéia é voltar logo na seqüência!
Postado por MARIANA em 10:19 AM 2 comentários
7 de agosto de 2007
Prosseguindo com o monotema...
Santiago, que já chegou lá, explica-nos o processo:
"Verdade que em dias como hoje não sei se estou com frio, se estou com fome, se é só gula, carência ou sono. Carência que faz ter frio. Ou frio que faz ter fome. Gula pela carência. Frio que me faz querer...
Continuando com a crise de meia-idade, fiquei pensando que não se pode mesmo confiar em ninguém com mais de 30. Essas pessoas nem sabem se têm frio, se têm fome, se estão só carentes, com sono ou recalcadas.
A verdade, é que depois da "passagem" a gente acredita que tem de ficar mais adulto... ou mais sofisticado. Ou a gente fica com preguiça do esforço, do ímpeto e da transgressão, e acaba se conformando com tanta coisa que a gente nem acredita.
Tenho me pegado tanto analisando meus valores. Acho que estou me tornando uma pessoa pior. Acho que meus valores são discutíveis. Mas então, encontro as pessoas que estudaram comigo, as pessoas da minha idade, as pessoas mais velhas, dos mesmos círculos, e elas estão todas assentindo e reafirmando os maiores absurdos que eu pratico, mas não concordo. Elas estão reafirmando valores em que eu penso, mas não admiro. Elas se permitem indulgências, deslizes, futilidades e as elevam para categoria de qualidade.
(...)
Por isso eu digo: faça enquanto é tempo. Faça cedo. Busque logo para você os rótulos de revelação, promessa, prodígio. Tudo o que você conquistar depois não terá graça, não terá validade, será apenas sua obrigação. E cada comemoração na sua vida virá acompanhada de uma dor nas costas."
Pombas.
Rolou assim uma identificação faraônica com a descrição toda.
Abster-me-ei de comentários, que muito provavelmente só repetisse as mesmas palavras.
Mas, ...é por aí.
É muito por aí.
Postado por MARIANA em 10:09 AM 2 comentários
6 de agosto de 2007
Eu tenho 12 anos
Esses dias vi na tv a chamada de um filminho cuja história era a de uma menina de 13 anos que teve atendido o seu desejo de acordar o dia seguinte com 30 anos.
Mas ela passou a ter 30 anos e um corpo de mulher e continuou tão inábil e envergonhada como são as meninas de 13 anos.
No meu caso, eu tenho 12 anos, a situação é inversa e isso não é, propriamente, um desejo meu.
Doze porque além de doze ser mais sonoro, meus 12 anos foram o momento mais crítico da minha existência, graças desde às minhas sobrancelhas que não paravam no lugar e à minha mãe nunca ter aprendido a fazer escova no meu cabelo até o meu sublime e eterno amor colegial não correspondido, razões todas que me levavam a querer desesperadamente pular a fase crítica e acordar adulta. 30 anos era uma boa pedida.
Mas o que eu não podia contar é que em tendo quase 30 eu voltasse a ter as mesmas reações debilóides que me acometiam aos 12 anos, do tipo ter ataques de riso porque o rapazinho mais-ou-menos-interessante (que também está na faixa dos 30, se não mais) surgiu do outro lado da rua, e, pra disfarçar tamanho sem graça, fingir procurar coisas inexistentes dentro do porta-malas do carro; ou, pior, sequer conseguir olhar para o moço apontado pela amiga (que é interesse dela, veja bem) sem ser flagrada e sem conseguir conter os espasmos aqueles que antecedem os ataques de riso, com direito a se esconder atrás da primeira pilastra, com a intenção vã de não ser vista.
Não dá.
Não dá mêischmo.
Pra completar, ainda escrevo diarinho na internet contando a situaçã.
Será uma reação natural à passagem da idade? Digo isso porque ao menos tenho a felicidade, se é que dá pra considerar assim, de não passar por micos do gênero desacompanhada, já que minhas amigas, igualmente balzaquianas, estão juntinho à mim nesta regressão e não auxiliam, absolutamente, na incorporação do jogo de sedução que era no mínimo uma obrigação aos quase 30 saber usar.
Um pouco menos mal.
...
Ou não.
Postado por MARIANA em 4:54 PM 0 comentários
30 de julho de 2007
26 de julho de 2007
Eu escolho a Fal!
Sai Pires e entra Jobim? Sério? É essa a solução do Lulalelé pra crise? Não, sério mesmo, tipo, é sério? Eu perdi algum capítulo, foi isso? O mundo acabou, vcs não me avisaram e a vida é assim mess? Então vão por quem na presidência da Infraero? A Soninha? O Sérgio Malandro? Eu? Escolhe eu tio, Tio Jobim, eu, eu, eu!
Postado por FER em 8:54 PM 1 comentários
25 de julho de 2007
Só a yoga salva
Fazia tempo que eu não me sentia assim, com essa sensação de primeiro dia do resto de nossas vidas. De acordar para o dia em que as coisas podiam ter sido, mas não foram.
Viver na mornidão tem suas vantagens, mas, em contrapartida, tudo se torna tão mais avassalador quando acontece. E quando não acontece também.
Lendo isto, o Thi lembraria imediatamente da frase bíblica que diz: “Seja quente ou seja frio. Não seja morno que eu te vomito”.
Mas, aí, a gente vai pra yoga, completa uma dúzia de posições e reaprende a respirar usando toda a capacidade respiratória.
É consolador.
Postado por MARIANA em 6:14 PM 2 comentários
Da nossa Rainha:
Apetece-me
Apetece-me tomar-te de assalto e fazer-te refém das minhas vontades.
Do meu afecto.
Apetece-me que te apeteça também.
Apetece-me ser crescida e poder ter destes apetites.
Apetece-me dar mais de 21 gramas a uma alma magra de alegrias.
Apetece-me não me enganar.
Apetece-me que não me enganes.
Apetece-me guardar o passado e aguardar o futuro.
Apetece-me que os afectos tenham uma existência concreta.
Apeteces-me. Sem aditivos. Sem corantes. Mas com conservantes.
Postado por MARIANA em 5:23 PM 0 comentários
9 de julho de 2007
Hoje, como era de se esperar, presenciei minha primeira experiência de rebelião da plebe rude contra a trilha sonora que embala a todos nós, proletários, a caminho do trabalho, no transporte coletivo.
Alguém trouxe um rádio e ligou um reggae bem alto, enquanto ao fundo, 'As Rosas não Falam', instrumental, tentava acalmar as pessoas usuárias do ônibus, numa segunda-feira cedo.
Veja que são músicas de classe. A música escocesa não é ruim não, pelo contrário, e ‘As Rosas não Falam’, bom, ...essa menos ainda. Mas as pessoas curtem o barulho, não adianta. Quanto mais ruído e mais volume, melhor. Não basta o horror no que o transporte coletivo pode se transformar em determinadas horas do dia, as pessoas gostam mesmo é de piorar o que já é ruim.
É uma tendência mundial? Porque eu não faço parte. Eu não faço parte de nenhum grupo de maioria, na verdade, mas, ainda assim, imaginava eu, seguindo o bom senso coletivo, que a musiquinha instrumental colaborava para a pacificação das massas.
As pessoas devem se irritar por alguém estar tentando acalmá-las, deve ser. Ovelhas insubordinadas. Uma pena que não se insubordinem pelas razões devidas.
Postado por MARIANA em 10:02 AM 2 comentários
3 de julho de 2007
A gente vê que ficou pra titia quando a nossa chefe passa a comentar de todo e qualquer cliente, remanescente solteiro mais ou menos apresentável, com os olhos brilhando e o ar de quem sugere, no melhor estilo da querida e saudosa Cris: TUA CHANCE, Mariana!!
As pessoas se incomodam com os solteiros não?
Sempre partem do pressuposto de que se não tem, está procurando, e, se não está procurando, é uma dissimulada da pior espécie. Bom, devo ser uma dissimulada da pior espécie, mas não por outra razão, além da de manter comigo a absoluta convicção de que certas coisas não se procuram, ...apenas se encontram, graças a alguma conjunção astral favorável.
E acredito piamente de que nada, mas nada mesmo que vc faça com o intuito de fará alguma diferença no andar da carruagem.
Falamos de 'encontro', bem entendido. Após o encontro, existem aquelas outras cento e cinqüenta mil variantes/determinantes que fatalmente levarão ao fim, com poucas e cada vez mais raras exceções honestas.
Mããs, a variante “total inabilidade para a conversação com qualquer ser do sexo masculino desconhecido mais ou menos apresentável” deve ter algum peso na manutenção do statu quo solteiro, passo a ponderar.
Sim.
...
Certamente que sim.
Postado por MARIANA em 1:53 PM 2 comentários
No ônibus, música instrumental escocesa, ou, algum outro álbum que bem poderia ser a trilha sonora de "Coração Valente" e ter um clip em que Mel Gibson corre pelas montanhas do Reino Unido de saia xadrez pregueada;
Andarilha vestida de quimono preto florido e com um coque no alto da cabeça que estende um tapete (que costuma carregar nas costas) na grama da praça e começa a dançar sozinha e a girar com os braços abertos;
Casinha branca bucólica escondida no Alto da XV ocupada por pessoas vegetarianas que usam nomes zen, cantam mantras indianos e tocam pianinho com fole.
Às vezes a vida se parece demais com alguma coisa que não existe.
Postado por MARIANA em 11:46 AM 2 comentários
1 de julho de 2007
Essa idéia de que o amor para ser completo deve incluir o momento da separação já foi tema de um dos textos do Jamil Snege, com o qual, apesar de me agradar a poesia, jamais concordei, o que me deixava naquela posição desconfortável de discordar de alguém que se admira e a quem, até então, eu somente lia assentindo positivamente com a cabeça. Tinha a impressão de que a intenção era apenas a de criar polêmica, mas vejo que a idéia é antiga e até bastante propagada.
Passei a estranhar menos, no entanto, depois de ler a uma entrevista em que ele falava sobre o assunto e explicava o seu ponto de vista à entrevistadora:
"Sim, os grandes amores sempre se acabam. Todos nós precisamos de um grande amor finito, interrompido, para continuarmos a crer na infinitude do amor. (...)
Lembrei-me então de um conto de Graham Greene, que li há muito tempo, chamado "Visita a Moritz". Um sujeito muito rico tem uma doença crônica aparentemente incurável. Depois de percorrer os grandes centros médicos do mundo, informam-lhe que vive em Moritz um obscuro doutor em cujo histórico clínico registram-se casos de cura da rara doença. O homem viaja a Moritz e hospeda-se num hotel. No dia seguinte, pela manhã, sai a caminhar pela pequena cidade e logo localiza o endereço do médico. Uma rua aprazível, um chalé com um belo pé de tília no jardim. Aquela atmosfera acolhedora anima-lhe a visita. Mas ele não chama pelo doutor. Não entra. Limita-se a contemplar a casa, a modesta placa de madeira que a brisa matinal balança. Retorna ao hotel e na mesma noite inicia a viagem de volta.
Minha entrevistadora sorri. A fita acabou finalmente. Desnecessário explicar-lhe o óbvio. Conservar viva uma esperança, mesmo que para isso tenhamos de renunciar ao objeto de nossa busca."
Postado por MARIANA em 7:13 PM 3 comentários
O amor é um lugar estranho.
Temos que aceitar (e suportar) que, sobretudo entre apaixonados, a comunicação é basicamente equívoco, mal-entendido, erro de interpretação, e que tudo o que os amantes podem inventar juntos sempre inventarão sobre as ruínas da comunicação, não sobre seus êxitos.
Alan Pauls, escritor argentino, em entrevista sobre o seu mais novo e badaladíssimo livro "O Passado".
Postado por MARIANA em 6:45 PM 0 comentários
25 de junho de 2007
Deixemos as mulheres apenas bonitas para os homens sem imaginação.
Marcel Proust
Postado por FER em 9:40 AM 4 comentários
22 de junho de 2007
O abandono do blog querido.
É que a coisa tá preta, minha gente. Preta mêischmo. A tendinite no pulso já denunciava o stress percorrendo o corpo da pessoa, além da mente que já não descansa, né, não tem jeito. Agora os efeitos do esgotamento estão se generalizando, ao ponto da pessoa só estar no aguardo de pifar, mas pifar assim miseravelmente, numa coisa muito óbvia e básica do desenvolvimento das atividades profissionais.
E a academia, meu deus!!!
E os exercícios físicos, sem os quais a pessoa não conseguia viver sem por muito tempo?
O horror do sedentarismo, a ausência de vontade para toda e qualquer atividade saudável e geradora de energia.
Vejam, reparem só, o início, o prenúncio do que está por vir:
Fernanda diz:
bonjour mary
Fernanda diz:
viu o email daquele cretino?
Mariana diz:
oi fer
Mariana diz:
acabei de ler
Mariana diz:
tô bufando
Fernanda diz:
é uma piada né
Mariana diz:
vou responder o email desse pulha
(...)
Mariana diz:
fer, acabei de mandar email pra ele
Mariana diz:
já chegou aí pra vc?
Fernanda diz:
chegou
Fernanda diz:
ótimo mari
Fernanda diz:
apesar de q eu acho q não vai surtir efeito nenhum
Mariana diz:
sim,
Fernanda diz:
esse idiota vai continuar tirando o corpo fora
Mariana diz:
mas que falta de tudo viu
Fernanda diz:
e mandando a gente se virar
Mariana diz:
mas vê se tem cabimento a gente simplesmente se atravessar
Mariana diz:
o professor não sabe nem de que buraco a gente saiu
Fernanda diz:
sim, bem isso
Fernanda diz:
qdo eu acho q eles já fizeram de tudo
Fernanda diz:
me vem esse pateta lavando as mãos
Mariana diz:
fer, eu tô escrevendo um email aqui pro blublublu
Mariana diz:
queimando um pouco a minha cara
Mariana diz:
um pouco mais, melhor dizendo
Fernanda diz:
aproveita pra queimar a cara da bliblibli
Fernanda diz:
diz q pedimos pro xxxx q intermediasse o contado
Fernanda diz:
mas q não obtivemos qualquer resposta
Fernanda diz:
e q estamos abandonadas a propria sorte
(...)
Mariana diz:
viu a resposta do cara?
Mariana diz:
conseguiu falar e não dizer nada
Mariana diz:
perguntei objetivamente como devemos proceder
Mariana diz:
vc entendeu o que é pra gente fazer agora?
Fernanda diz:
eu acho q ele só deve ter encaminhado o nosso email pro cara agora
Fernanda diz:
e mandou a gente se virar
Fernanda diz:
simples assim
Fernanda diz:
note q ele nunca está errado e sempre faz o q tem q ser feito
Mariana diz:
síndrome de bom moço
(...)
Mariana diz:
viu essa?
Mariana diz:
mandou agora o email pro blublublu
Mariana diz:
te contar viu
Fernanda diz:
eu disse, só depois da tua cutucada é q ele se coçou
Fernanda diz:
ahhhhhhhhhhh
Fernanda diz:
q vontade de avançar nesse mané
Mariana diz:
ave
Mariana diz:
viu isso?
Mariana diz:
agora ele desatou a escrever pros professores
Fernanda diz:
pois é
(...)
(...)
Mariana diz:
fer
Mariana diz:
fer fer fer
Mariana diz:
meu deus
Mariana diz:
diga que eu não fiz isso
Mariana diz:
diga que eu não fis
Mariana diz:
fizzzzzzzzz
Mariana diz:
isso é hora pra erros de portugues
Fernanda diz:
hã?
Fernanda diz:
do q vc tá falando?
Mariana diz:
fer de deus
Mariana diz:
eu respondi o teu email para o xxxxx menina
Mariana diz:
aquele em que vc disse que ele não teve a decência de enviar o email pro professor
Fernanda diz:
como assim?
Mariana diz:
eu não acredito
Mariana diz:
eu preciso de férias realmente
Fernanda diz:
meu deeeeeeeeeeeuuuuuussssssss
Fernanda diz:
eu te mato
Mariana diz:
olha o que eu tô fazendo
Fernanda diz:
orra, orra, orra
Mariana diz:
duas vezes ainda
Mariana diz:
não fer
Mariana diz:
mil perdões
Mariana diz:
eu quero morrer
Fernanda diz:
eu tacando a boca no cara
Mariana diz:
jesus maria josé
Mariana diz:
me desculpe
Fernanda diz:
bom, eu falei a verdade né
Fernanda diz:
ele não tinha passado email nenhum até então
Mariana diz:
sim
Mariana diz:
brincadeira isso
Mariana diz:
eu sou um perigo
Fernanda diz:
é mesmo!
Mariana diz:
eu represento perigo para os demais seres humanos
Mariana diz:
eu tenho que tirar uma licença
Mariana diz:
licença saúde
Mariana diz:
não, ...ele vai achar que eu realmente quis passar o email com o teu comentário porque foram duas vezes
Fernanda diz:
duas???????????
Fernanda diz:
ai deuso
Fernanda diz:
ai deuso
Fernanda diz:
mariana do céu
Fernanda diz:
tu me mata
Mariana diz:
eu preciso ser afastada, tô falando
Mariana diz:
eu mandei um último email agradecendo a atenção, depois que ele mandou a enxurrada de emails dele
Mariana diz:
bom, ao menos, (eu sei que não melhora muito), mas ao menos, os últimos emails foram educados
Mariana diz:
eu vou me desculpar até o fim da minha vida, viu fer
Mariana diz:
e vou ajoelhar no milho hoje
Fernanda diz:
hahahahahahaha
Fernanda diz:
eu até fui polida com ele
Fernanda diz:
pelo menos não chamei de pateta
Mariana diz:
sim, graças
Mariana diz:
graças ao bom Deus
Mariana diz:
e do jeito que ele é confuso, não vai saber quem escreveu pra quem
Mariana diz:
pode ter sido eu mesma
Postado por MARIANA em 1:53 PM 0 comentários
11 de junho de 2007
Dois ou três almoços, uns silêncios.
Fragmentos disso que chamamos de "minha vida".
Caio Fernando Abreu
Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos. Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas. Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece. De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia. Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria. Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
Postado por FER em 2:17 PM 1 comentários
8 de junho de 2007
"O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança."
Do Gabriel, o Garcia Márquez, em "Memórias de minhas putas tristes".
Postado por MARIANA em 1:29 PM 3 comentários
6 de junho de 2007
Diálogo construtivo...
Rafael diz:
e ae
Rafael diz:
vamos?
Mariana diz:
vamos
Mariana diz:
depois de mais de uma semana
Rafael diz:
deixei de ir no meu pai pra falar com vcs
Mariana diz:
muito bem!
Rafael diz:
pq estou com muita, mas muita saudades mesmo
Mariana diz:
5 estrelinhas para ti
Mariana diz:
hahahahahahahaha
Mariana diz:
siiim, mas faz mais de uma semaaana menino
Mariana diz:
trouxe teu cachecol todos os dias
Mariana diz:
e não pude entregar
Rafael diz:
hahahahah
Rafael diz:
eu pensei que nunca mais veria esse cachecol
Rafael diz:
ja tava dando ele como extraviado
Mariana diz:
nossa
Rafael diz:
hahahahaha
Mariana diz:
estando comigo jamais dê nada por perdido, mon ami
Rafael diz:
ainda bem, ainda bem
Mariana diz:
eu cuido muito bem do que não é meu e devolvo nas mesmas condições
Mariana diz:
don't worry!
Mariana diz:
be happy!
Mariana diz:
:D
Rafael diz:
I believe in you
Rafael diz:
e o feriadovisk?
Mariana diz:
trabalharei, naturalmente
Mariana diz:
e amanhã quero dormir 24 horas seguidas
Mariana diz:
e quero fazer compras no sábado
Mariana diz:
e quero férias de 30 dias agora mesmo
Rafael diz:
nossa
Rafael diz:
eu pensei em sair hj
Rafael diz:
tomar todas
Rafael diz:
amanhã, tomar todas
Rafael diz:
sexta, trabalharei tb
Rafael diz:
mas quero ver se vou no mercado municipal comprar uns vinhotes
Rafael diz:
sexta a noite, beber todas
Rafael diz:
e pegar umas muiés
Rafael diz:
sabado, idem
Mariana diz:
hahahahahahahaha
Rafael diz:
hahahahahah
Mariana diz:
uau hein
Mariana diz:
que super programação
Mariana diz:
e eu, na minha infinita ingenuidade, só queria dormir e fazer compras
Rafael diz:
pois é
Rafael diz:
mari, estou apaixonado
Mariana diz:
enquanto podia estar aí bebendo todas e pegando uns hômi
Mariana diz:
ai
Rafael diz:
essa miss brasil que ficou em vice no miss universo é demais
Mariana diz:
hahahahahahaha
Mariana diz:
é mesmo
Rafael diz:
to vendo umas fotos dela no jornal agora
Mariana diz:
excrusive, comprado aquele concursinho de meia tigela hein
Rafael diz:
diz que os seios dela sao naturais
Mariana diz:
nem a japa acreditou que ela tinha ganhado da brasileira
Rafael diz:
nao, as fotos da japa aqui mostam o como ela é feia
Rafael diz:
ela era a pior de todas
Rafael diz:
até a coreana era mais gata que ela
Mariana diz:
é, mas decerto que eles viram a beleza interioRR
Mariana diz:
e a inteligência dela
Mariana diz:
donald trump considera essas coisas tbém, ouvi falar
Rafael diz:
pelo amor de deus
Rafael diz:
miss= beleza
Rafael diz:
missa (não necessariamente) = inteligencia
Mariana diz:
pois é
Mariana diz:
faz sentido mesmo
Postado por MARIANA em 2:14 PM 2 comentários
Foi a primeira e única vez que eu fui a um show sozinha e tive uma experiência muito feliz. Obviamente que o tipo de show e o tipo de teatro ajudaram em tudo, já que a atmosfera era naturalmente introspectiva e intimista.
Lembro que na minha cadeira e nas cadeiras em volta estavam umas meninas que não haviam conseguido lugar juntas e eu disse que elas podiam ficar com a minha cadeira, sem problema, que eu trocava de lugar, ao que elas me perguntaram muito solidárias: mas vc tá soziiinhaa??
No fim, foi melhor trocar de lugar, porque aí fiquei no espaço mais alto e mais escuro do Paiol, o que (quero crer) evitou um pouco do vexame, pois eu chorava soluçado durante todo o show.
Aliás, 2002 foi o ano dos shows emocionantes e de chorar soluçado. E 2007 tem sido o ano do retorno destes artistas, com shows que infelizmente não puderam superar o impacto que os anteriores tiveram para mim. Mas é que né, ...nem poderiam.
A intensidade das coisas vividas pela primeira vez é particular e única, apenas para dizer o óbvio ululante. O tempo depois se encarrega de acrescentar a dose de nostalgia e temos cá mais um momento em nossas vidas idealizado pela saudade. Pela saudade e pela inocência. De alguma coisa tinham que servir as primeiras experiências e a inocência, afinal.
Mãs o show deste fim de semana, mais uma vez, foi emocionante, com composições do Tom de antes da bossa nova, todas músicas desconhecidas do grande público, portanto. Meus irmãos fariam um à parte aqui para dizer que sou esquisita, já que não gosto de nada do que todo mundo gosta. “Porque todo o mundo gosta” e “ninguém nunca ouviu falar dessas coisas que vc gosta”. São as frases-mãe de todo o diálogo que travo com eles sobre gostos pessoais. Eles odeiam todos os meus cds e os livros e tudo o mais do que eu goste. Diria que é um indício do meu bom gosto isso. Onde já se viu “maioria” ser pressuposto de qualidade. A maioria escolheu o Lula, não esqueçamos - só para usar o exemplo mais chocante.
Mas tá, depois do show, imbuídas de enorme boa-vontade e abertura para o mundo, fomos eu e Ferdi Maria encarar uma boate alternativa, com gente esquisita. Aí percebo que sou convencional por demais, assim, externamente, e não orno em lugares com gente esquisita, embora o lugar, a decoração, a música e mesmo o figurino do pessoal me agrade muitíssimo. Ó, o conflito lá, arrojo versus blábláblá, sempre companheiro.
É que não resisto. Pra ter uma idéia, tem até uma passagem secreta no banheiro masculino - que é uma atração por si só, já que o vaso fica um degrau acima, tipo altar, e o teto rente à cabeça, a la o meio-andar de Charlie Kaufman. Dayana Kelly mostra pra vcs - a passagem secreta, bem entendido, que fotografar o vaso não passou pela nossa cabeça na hora:
E eis o outro lado:
Que era o bar detrás, onde havia um caminho de pedras, uma bananeira de canto cheia de luzinhas e Sin City refletido no paredão.
Só aligriiia.
Postado por MARIANA em 11:53 AM 2 comentários
28 de maio de 2007
“Quem tem tique não pode jogar”.
Tudo vai bem.
Até que, nesses atendimentos mis em escala industrial, a gente atende uma pessoa com tique.
Sendo que o tique da pessoa era levantar as sobrancelhas e arregalar os olhos assim, meio que umas cinco vezes sucessivas, à medida que ia se concentrando nas perguntas e explicações todas.
Uma beleza.
E, mais ainda, de ficar como que apontando com a cabeça para o seu lado esquerdo, e meu direito. E eu olhei né, porque realmente parecia que ele estava querendo me mostrar alguma coisa praqueles lados. E olhei mais de uma vez, porque a coisa é involuntária, tanto quanto os tiques todos.
Que situaçã, pessoar, que situaçã.
Mas fui forte.
Até porque os atendimentos são sozinhos né, não há ninguém mais na sala, just the two of us, ninguém para dividir a atenção. O que, neste caso foi até bom. Porque né, as reações em massa sobre a mesma situação podem ser desastrosas.
Ainda bem também que o procedimento todo já faz parte de toda uma vida da pessoa, que a gente liga o piloto automático e vai. Sem pensar no amanhã.
E só lembrando das reações em situaçãs análogas em que Merilú estava presente e houve estragos. ‘Jisuis, se Merilú estivesse aqui!’. Como da vez do Elétrica, num dos festivais de teatro da vida, da época do blog roseroxo, ocasião em que eu estava certa que nos iam expulsar do teatro, só estava esperando o momento, e ocasião em que se iniciaram minhas aulas sobre como tapar a boca durante um ataque de riso definitivamente não é a melhor opção, pelo efeito muito mais chamativo da explosão que ocorre quando não se agüenta de jeito nenhum e aquela coisa abafada que se mistura com a risada e tudo mais. E enfim.
Entre outras menos publicáveis.
E da juventude doirada de invernos na praia em que as cousas invariavelmente se descambavam para passar as noites jogando Detetive (não o de tabuleiro, o das cartas, sabem? que tem as vítimas, o assassino e a polícia? tem isso em todo canto será?), e os ‘castigos’ todos de virar alguma coisa alcoólica garganta abaixo, e as conseqüências adolescentes todas desta tão valiosa experiência pela casa das pessoas afora.
Mãs.
Sendo que quem fosse o ‘assassino’ da vez, matava suas vítimas o mais discretamente possível, piscando para elas. Foi aí que se descobriu que uma das pessoas na mesa tinha o tal tique. Esse de piscar. Mais do que o normal, eu digo, e em seqüências mais longas, digamos. Daí que a coisa foi impossível, que essa mesma pessoa ‘matava’ todo mundo sem nem sentir, inclusive o próprio assassino, o que foi deveras confuso, somado às cousas alcoólicas garganta abaixo. E foi aí que a antológica frase aí em riba surgiu, a do título, com o perdão da piadinha interna, é claro, a qual possivelmente nem seja assim tão super engraçada, mas por essas bandas, continua fazendo o maior sucesso.
Os caminhos da mente, né. Eu em Guaratuba nos anos noventa e o atendimento rolando. Numa coisa meio sem olhar direito pra pessoa, o constrangimento todo de um e outro e aquela coisa. Mas é o máximo de controle que se consegue, porque a gente tenta, mas sem abuso.
Postado por CAROLINA em 8:12 PM 6 comentários
25 de maio de 2007
Humilhação: tropeçar na escada do trabalho e fazer um barulhão capaz de fazer as pessoas levantarem da cadeira pra vir perguntar se está tudo bem.
Humilhação suprema: seu chefe no alto da escada se agilizando pra te catar do chão.
E hj eu tô sem salto!!!!
Postado por FER em 5:17 PM 1 comentários
23 de maio de 2007
Trabalhe com um barulho desses
Aqui ao lado do escritório tem uma escolinha com berçário.
Faz duas semanas que um bebê chora ininterruptamente o dia todo.
Descobrimos que é uma menininha de três meses que foi acostumada a ficar no colo o tempo todo e que agora passa o dia no berçário.
Como as professoras querem desabituá-la do colo, ela protesta se esgoelando o tempo inteiro, eu disse o tempo INTEIRO.
Concentração amiga, cadê você???
Postado por FER em 10:12 AM 2 comentários
16 de maio de 2007
Tipo assim.
Estou viva, passo bem e tudo mais ou menos sob controle. Sei que as rugas de preocupação da multidão de fiéis leitores desfizeram-se neste momento, mãs.
E atendendo mais pessoas ao mesmo tempo do que eu mesma jamais imaginava que era possível para qualquer pessoa neste mundo afora. Logo eu, que sempre always e forever disse que se coisa houvesse, uma única, que um dia eu pudesse escolher para nunca mais fazer nesta nossa profissão da peste, seria, sem titubear, atender clientes. A ironia, ela sempre.
No entanto e porém, eis que esta experiência praticamente diária na região metropolitana de nossa capitar ecológica serviu ao menos para, de uma vez por todas – e se não fosse agora, não sei mais na vida quando diabos haveria de ser – se desenvolver toda uma paciência voluntária e não forçada em momento algum com as pessoas atendidas, tanto que a coisa deixou de ser um suplício, para ser um sofrimento mais leve um pouco. Um pouco, mas ainda assim. Nessas alturas, já é super.
O problema é o padrão das perguntas, todas iguais, por estarem todos nesta mesma situação jurídica, no caso. Sendo que por ‘todas’, eu quero dizer algumas centenas de. Para serem atendidas, uma a uma. Por moi. E por outro advogado que reveza comigo, mas isso não vem ao caso. Porque eu eu eu eu. E o padrão das dúvidas, as mesmas sempre. E as minhas respostas, as mesmas sempre. Até as piadinhas. Que eu faço piadinhas, pessoa tão descolada que sou. Sabe aqueles professores de cursinho que todo santo ano fazem as mesmas brincadeiras sobre os mesmos assuntos, para alunos que são diferentes? Então. Finalmente entendo o drama.
Mãs, tudo muito construtivo, não fossem os prazos se acumulando na mesa que fica lááá no escritório, esquecido pelas tardes na região metropolitana. Mas isso é outro detalhe não muito agradável que fica pra depois.
Sei que as forças e energias, como disse eu aí num comentário tardio aos posts todos que foram acontecendo so far away from me, vão-se todas consumidas pela ansiedade, o mal maior. Não sei se do século, mas meu eu garanto. O diacho do frio na barriga e do organismo todo em alerta alimentam-se das energias da pessoa. Bem podiam alimentar-se da gordura toda da pessoa, mas nãããão. Estas estão aí, firmes e fortes. Aliás, nada firmes, mas sempre fortes e crescentes.
Tudo assim muito muito vago, a la noche, só pra dizer que sim, I’ll survive e um belo dia eu voltarei! Fé, muita fé.
Postado por CAROLINA em 9:08 PM 1 comentários
E o cliente, então, que te dá carona até a esquina do escritório e se despede dizendo: "não vá se perder hein!"
Ps: Percebam que estou respeitando a ordem cronológica dos acontecimentos. E ainda faltam 2 horas e meia até o fim do expediente...
Postado por MARIANA em 3:35 PM 0 comentários
E o que pretende o velho que se aproxima do amigo pra cochichar alguma coisa em pleno elevador, quando no elevador estão somente eles e eu?
+_+
Güente.
Postado por MARIANA em 9:58 AM 1 comentários
14 de maio de 2007
POR UM ACASO
WISLAWA SZYMBORSKA
Postado por FER em 3:49 PM 3 comentários
9 de maio de 2007
Meu tempo é quando – parte II
Esse post tem mais ou menos um ano de atraso, porque na época, não achei que havia algo do que falar que não fosse causar forte indignação. Para a minha pessoa no caso. E para a psicologia enquanto estudo do comportamento.
Ocorre que à algumas coisas falta tanto critério e à algumas pessoas falta tanta percepção, que só nos resta rir da ironia da cousa toda.
“Inventário de Atitude do Trabalho” ou, como apelidado pelo Rafa, “Inventário mother fucker psicográfico”.
Consiste numas 48645 perguntas sobre comportamento profissional, a fim de traçar o perfil profissional da pessoa. Sim, porque hoje não se fala mais em 'talentos para determinadas áreas do conhecimento', mas sim em 'perfis para determinadas funções'. Aliás, não se fala mais em "talentos", estes foram substituídos pelas palavrinhas nada simpáticas “habilidades vendáveis”.
Pois sim. Para todas as perguntas deve ser marcada uma resposta, obrigatoriamente, ainda que nenhuma das respostas corresponda àquela que seria dada por vc. Não bastasse, as perguntas se repetem inúmeras vezes pelo teste afora, com respostas diferentes e, por vezes, opostas àquelas outras da pergunta anterior. Mais ou menos assim: numa pergunta vc assinala, contrariada, a alternativa “a”, porque na verdade ela não teria resposta pra vc, mas vc tem que responder. Mais à frente, surge a mesma pergunta, com outras respostas, opostas àquela da anterior, sendo que deve ser assinalada a que mais tem a ver com vc; em não havendo, qualquer uma, que, por isso, vai ser absolutamente oposta a alternativa “a” antes assinalada, que já tinha muito pouco a ver com vc. E assim vai.
Aí que chegou o dia da “orientação individual”, que seria a análise do resultado deste teste cujo resultado alimenta um programa que forma um gráfico. Este é o gráfico dos seus pontos fortes e fracos. São analisadas várias características divididas em grupos de “administrativas”, "interpessoais’ e “intrapessoais”.
Daí que o meu gráfico é de uma pessoa problemática, por assim dizer.
Segundo a psicóloga que aplicou o teste e depois me entregou o resultado, devidamente comentado, nas palavras da própria: existe uma "porra-lôca" dentro de mim querendo se liberar e sendo impedida pela minha ‘dificuldade em tomar decisões’, esta, por sua vez, decorrente do ‘medo da perda’.
E mais um bocado de outras coisas na mesma linha, só que mais pra baixo.
Para finalizar, sofro de um conflito existencial entre o meu ímpeto pelo arrojo e o meu conservadorismo. Trocando em miúdos, preciso de ajuda profissional. Sabe cumé, pra resolver esse "dilema interno" que está me impedindo de escolher entre um e outro.
No entanto, analisando superficialmente o meu gráfico eu mesma pude perceber que as colunas vistas assim, de maneira global, e, considerando os grupos de características, denunciavam uma série de contrariedades. Qualquer um poderia por ex. olhar o gráfico e, sem titubear, encontrar ali um conflito entre a minha vontade de ousar ou de abraçar o certo ao invés do duvidoso. Qualquer um, menos, talvez, a psicóloga.
Certo que há este conflito. Sempre houve e sempre haverá, e, até onde entendo, graças ao Senhor Jesus, que não quero mesmo optar por uma das coisas e com esta permanecer para todo o sempre. No entanto, isto não significa em absoluto todas as outras conclusões que o gráfico dela tirou por si só, consciente e sensível que não foi à pessoa que se sentou à frente dela e que disse coisas que deveriam ter sido avaliadas, quando menos, em conjunto.
Numa dessas que as pessoas menos esclarecidas entram em desajuste com as demais e caem no dilema aquele do ‘ó, como sou incompreendido’, como se houvesse compreensão no mundo e isso não fosse um falso problema, seguido de uma falsa crise.
Contudo, hoje relendo o texto e lembrando do quanto fiquei atônita e considerando o tempo que passou e as novas idéias que surgiram, devo dizer que o conflito persiste e todo o resto deve ser jogado fora, exatamente como há um ano atrás, com a diferença de que agora convivo melhor com a contradição, a minha e a dos outros.
Na minha ânsia por coerência e congruência, perdi todas as vezes em que tentei compreender o que não se compreende e justificar o que não se justifica, e ainda assim teimei nesta tarefa ingrata. Ainda teimo, na verdade, mas dou a isso menos importância, o que suavizou deveras uma porção de coisas.
E, claro, prossigo naquela do arrojo x conservadorismo, passeando pelos dois lados e tentando sair o menos chamuscada possível.
Postado por MARIANA em 5:35 PM 4 comentários
4 de maio de 2007
"Ah, meu deus, e eu ainda ensinei ela a rebater...."
Juju pegou o buquê. Ou parte dele, mas ainda assim veio certeira a florzinha vermelha diretamente para as mãos de Juju. Thi, um tanto preocupado depois de ouvir a massa gritando o seu nome, solta-me esta pérola de ainda a ter ensinado a rebater...
Nesse momento, já alterada das idéias, não pude evitar enxergar Juju tomando impulso entre as demais e rebatendo a flor que vinha em sua direção. Fato incrível este que, apesar de peculiar, seria bastante possível, já que Juju em tempos remotos, foi campeã de peteca no colégio, juntamente com Kerol, sua dupla. E a peteca que sempre me pareceu um esporte pouco útil (perdoem-me meninas) vem surpreender desta maneira mais de década depois.
Esbaldei-me de champanha e saí da festa, aliás, saímos todos, somente depois de ver os “hômi” pendurados nos lustres pra retirar as flores da decoração. Percebi que era o fim também depois do laquê me boicotar e meus cabelos começarem a desabar, dando uma aparência um tanto decadente ao visual. Afora os fios puxados do vestido graças ao contato com a minha pulseira nova que, contrariamente ao estrago, tinha o objetivo de ser a peça mais brilhante da produção.
Graças que houve este feriado de terça pra pessoa ao menos tentar se recuperar do baque, que os anos de má postura começam a pesar a esta altura da vida e minha coluna num güenta mais 10 horas seguidas de salto 15 fino.
Tem sempre aquele momento né, introspectivo, que ocorre mesmo depois de todo o álcool, em que a pessoa pára concentrada pra olhar em volta e gravar a cena e constatar com emoção que todos se encontram na mesma situação, exultantes de aligriiia. Prova disso foram as declarações de amizade e amoR que todos sentimos um pelo outro all together now que nem sempre levaram em conta as pessoas desconhecidas que eram abraçadas em conjunto.
Eu e Day, transgressoras que somos, atravessamos a área restrita ao casório e subimos as escadas do Castelo pra dar uma olhadinha nos cômodos de cima. Uma coisa realmente.
Ninguém caiu na pista, que me lembre. Vi Marcinho querido apenas se desequilibrar um minuto e quase cair pra trás, mas foi tão linda a recuperação, com a pessoa emendando um passinho em seguida e saltitando no ritmo da música até estar de pé de novo, que não se pode considerar isso uma gafe, de reito nium.
Foi o primeiro casamento da turma. Ao menos o primeiro comemorado tradicionalmente com igreja e festa. Sei não se os nouvos aproveitaram na mesma medida, mas os convidados posso garantir que sim, diante do desbunde de cores e brilhos e dos reencontros e da confraternização geral de turmas, o que tornou tudo véri véri funny.
* up date: mas veja só que orguuuulho que só agora me apercebo desta maravilha de dois dos citados no texto poderem ser linkados para os seus respectivos blogues!! Ó a evolução dos tempos!
Postado por MARIANA em 11:02 AM 6 comentários
3 de maio de 2007
Cortázar, Julio
Entre a Maga e mim cresce um canavial de palavras, estamos separados só por algumas horas e alguns quarteirões e já a minha pena se chama pena, meu amor se chama amor...Irei sentindo cada vez menos e recordando cada vez mais, mas o que é a recordação, afinal, senão o idioma dos sentimentos, um dicionário de rostos e dias e perfumes que voltam como os verbos e os adjetivos no discurso, adiantando-se disfarçados, à coisa em si, ao presente puro, entristecendo-nos ou lecionando-nos vicariamente até que o próprio ser se torna vicário, o rosto que olha para trás abre muito os olhos, o verdadeiro rosto se mancha pouco a pouco como nas velhas fotografias e Jano, de repente, é igual a qualquer um de nós. Vou dizendo isso tudo a Crevel, mas é com a Maga que estou falando, agora que estamos tão longe um do outro. E não lhe falo com as palavras que só serviriam para que não nos entendêssemos, agora que já é tarde começo a escolher outras, as dela, as envoltas naquilo que ela compreende e não tem nome, auras e tensões que crispam o ar entre dois corpos ou enchem de ouro em pó um quarto ou um verso. Mas não vivemos assim o tempo todo, lacerando-nos docemente? Não, não vivemos assim, ela quis, porém uma vez mais voltei a instalar a falsa ordem que estimula o caos, a fingir que me entregava a uma vida profunda da qual só tocava a terrível água com a ponta do pé. Existem rios metafísicos, ela nada por eles como aquela andorinha está nadando pelo ar, girando alucinada, em torno do campanário, deixando-se cair para melhor levantar com o impulso. Eu descrevo e defino e desejo esse rios; ela nada por eles. Eu os procuro, os encontro, olho-os da ponte, e ela nada por eles. E, sem o saber, igualzinha à andorinha. Não precisa saber, como eu; pode viver na desordem sem que nenhuma consciência de ordem a retenha. Essa desordem é a sua ordem misteriosa, essa boêmia do corpo e da alma que lhe abre de par em par as verdadeiras portas. A sua vida não é desordem, a não ser para mim, enterrado em preconceitos que eu desprezo e respeito ao mesmo tempo. Eu, condenado a ser absolvido irremediavelmente pela Maga, que me julga sem saber. Ah, deixa-me entrar, deixa-me ver algum dia da mesma forma como vêem os teus olhos.
Postado por FER em 9:57 AM 1 comentários
24 de abril de 2007
"Ser tolo, egoísta e ter boa saúde, eis as três condições para a felicidade. Mas, se falta a primeira, tudo está perdido."
Jose Ingenieros, em "O Homem Medíocre".
Um livro para se reler.
Postado por MARIANA em 9:34 AM 4 comentários
20 de abril de 2007
Tão pequena....é?
Eu sou só um você que você não quis
E querer é coisa tão pequena
Que só não sou você por um triz
Marcelo Camelo
Postado por FER em 11:45 PM 1 comentários
19 de abril de 2007
A Peleja do Vaqueiro Benedito contra o Capitão João Redondo e a Cobra Madalena
Espetáculo discute as relações entre as classes sociais a partir da linguagem popular do mamulengo, utilizando-se de cirandas, cantigas de roda e grandes compositores brasileiros, enquanto bonecos/ atores e atores/ bonecos contam a história de Benedito, vaqueiro brincante que luta para defender seu Boizinho Pequi das garras do Capitão João Redondo, fazendeiro ambicioso que pensa dominar e comprar tudo o que vê e deseja.
Õmmnn
Só o título já diz tudo.
Fofurinha né?
Constava como voltada para o público 'infanto-juvenil', informação esta que me passou totalmente despercebida. Mas, tudo bem, porque era mentira. Aliás, as coisas com qualidade fazem as classificações e categorizações perderem o sentido, podendo nos trazer profundidade e boas surpresas seja como for, sem preconceitos.
E o mámulêngo, o que é?
“O mamulengo é um dos mais tradicionais formatos de teatro de bonecos no Brasil. Nesse tipo de peça, é usado um palco, e atrás dele ficam os manipuladores, ou seja, as pessoas que dão voz e movimentos aos bonecos. Durante o espetáculo, a participação da platéia é essencial, pois os atores improvisam algumas cenas de acordo com as reações do público.”
Pra começar, os 3 atores/manipuladores chegaram pela porta da frente do teatro cantando e tocando tambor, pandeiro e triângulo, vestidos de uma mistura de sertanejos/artistas de rua, chamando todos a cantarem nas paradas das musiquinhas os “uuuhh!”, “eeehh!” junto com eles. Adouro. A gente se sente tão participativa, tão dentro.
O Espaço Falec tem dessas. Em outra peça que vimos lá, também uma atriz veio nos receber no corredor e foi nos acompanhando até dentro do teatro.
Atrás do palquinho armado no meio do palco real ficavam 2 dos atores/manipuladores e fora, inserindo a história e fazendo o intercâmbio entre a platéia e os bonecos, ficava outra atriz que ainda cantava e tocava pandeiro, sempre chamando o público a cantar junto e a reagir diante dos acontecimentos.
A história propriamente é muito simples: o vaqueiro Benedito, nosso herói, tentando lutar contra o poderio do capitão João Redondo, boneco este que era praticamente só barriga e que quando caía passava o maior trabalho pra se levantar, devido à sua forma arredondada.
Benedito é dono do boizinho Pequi e isto atrai a cobiça do Capitão que manda o seu capanga que manda o policial da cidade confiscar o boizinho de Benedito. Tendo Benedito se livrado com êxito de todas as tentativas de lhe tirarem o boizinho, o Capitão envia enfim a cobra Madalena, serpente monstruosa (vide foto), contra a qual Benedito não teria chances. Será?
Ao final, os atores do Grupo Roupa de Ensaio, de Brasília, se apresentaram, contaram um pouco da formação do grupo e da tradição do mamulengo, responderam perguntas e curiosidades e passaram os bonecos para que a platéia pudesse tocá-los e brincar um pouco de mámulêngo.
Tudo muito interativo e interessante, como costumam ser as manifestações tipicamente populares e regionais.
Postado por MARIANA em 11:31 AM 2 comentários
Ói nóis aqui travêis.
Deixem-me aproveitar esta brecha que Merilú deu, ao falar mais uma vez de teatro, pra continuar a saga praticamente interminável das peças do Festival. Eu sei, eu sei, monotema total. Mas a coisa não ta fácil aqui não, capanheros, que senão eu juro que escrevia tudo assim de uma só vez all together now. Mas não dá, que alguém tem que alimentar as crianças nessa vida.
Enfim, Apareceu a Margarida:
Em 1973, o teatro brasileiro conheceu o talento do dramaturgo Roberto Athayde quando "Apareceu a Margarida" ganhou os palcos numa encenação de Aderbal Freire-Filho e Marília Pêra no papel-título. Muitos prêmios e 30 anos depois, a peça volta aos palcos do Rio, com estréia dia 16 de janeiro, no Teatro Cândido Mendes. Protagonizado agora pela atriz Marília Medina, o texto do autor carioca utiliza de um humor ácido para criticar as relações de poder. A direção da montagem é do jovem ator pernambucano Bruno Garcia.Dona Margarida é uma professora ameaçadora, que passa o tempo todo questionando seus alunos. A peça revela uma mestra que seduz, humilha e abusa do poder diante de sua classe de alunos: a platéia. Durante as aulas Dona Margarida critica o uso de drogas, explica que a matemática é à base de todas as outras disciplinas e, a biologia, a ciência da vida. Ela tem uma presença magnética no palco, mas revela-se solitária.
Uma das últimas assistidas esse ano, apesar de estar tudo completamente fora de ordem nessa confusão que cá fizemos para contar tudo e mais um pouco de cada uma das peças. Que, como bem disse Merilú, agora é questã de honra.
Lá fomos para o Teatro Paiol, um de meus preferidos de todos nessa vida. Acho que a coisa de ser meio circular, e com relativamente poucos lugares, e todo aconchegante. Não há lugar em que a apresentação não seja bem vista, uma beleza.
Daí que presenciamos a Dona Margarida, nossa professora da – salvo engano – quarta série na ocasião, sendo que nós mesmos éramos os alunos, no caso. E ficou legal isso, independente de resposta ou não do público, a coisa fica infinitamente mais interativa, mais aberta a improvisações. Não que seja eu grande entusiasta das improvisações teatrais, pelo menos não ao exagero, mãs.
Dona Margarida aparece fazendo questão de ressaltar quem é que manda, exagerando nas ordens e se contradizendo o tempo inteiro sobre o que vai ser ensinado e o que é muito cedo para nós, os alunos, aprendermos. A solidão e a fragilidade da Margarida transparecem ainda mais a cada vez que ela tenta desesperadamente se impor perante a classe, sempre se referindo a si mesma na terceira pessoa, “Dona Margarida”. E tentando até mesmo seduzir, insinuar-se e se colocar como exemplo de tudo o que de melhor existe neste mondo inteiro.
Altas gargalhadas da platéia o tempo inteiro, e ‘história’ propriamente, quase nenhuma, no sentido de uma narrativa, eu digo. Porque a coisa é toda do personagem, das suas características, lembranças e a hierarquia toda de professora e alunos, sendo ela a detentora de todo o conhecimento e nós, mais uma vez, os ignorantes.
Quase nem foi preciso o diretor Bruno feiooooso que só – sendo muito irônica neste momento – ficar sentado na platéia também, rindo alto, talvez para incentivar o povo a fazer o mesmo. Porque todo mundo fez naturalmente, bem lindo.
Juro que prefiro escrever sobre as coisas logo depois de vê-las né, pelos detalhes todos que se perdem. Ainda mais tendo eu esta memória tão desprivilegiada, mas a intenção é tudo nessa vida, né mesmo?
Postado por CAROLINA em 9:41 AM 1 comentários
18 de abril de 2007
Eu nunca disse que prestava
A peça é composta de histórias curtas e flashes que exploram o universo feminino e suas carências, anseios e decepções, em especial no quadro amoroso. No palco, afetos, desafetos, carreira profissional, escolhas, vida e morte. Temas universais, que afetam todas as mulheres, se refletem nas alegrias e tristezas exploradas na peça. Com Natalia Lage, Luisa Thiré, Ana Barroso, Anna Cotrim e Murilo Grossi. Direção: Rodrigo Penna.
Essa não fez parte do Festival de Teatro, mas esteve aqui na terrinha no último fim de semana. Moi, como pessoa teatral que sou, fui lá né.
Grande parte do interesse, se não todo ele, deu-se em razão de o roteiro de Rodrigo Penna, estreante nesta área, assim como na direção da peça, ser baseado nos livros “O doido da garrafa” de Adriana Falcão e “Ao vivo” de Luciana Pessanha.
Desconheço a obra de Luciana Pessanha, mas pelo texto de Adriana Falcão de mesmo nome do livro “O doido da garrafa” tive amor à primeira vista, tendo eu inclusive usado trechos do texto por algum tempo como descrição da minha pessoa no “profile” do famigerado orkut. Sem querer com isso reduzir toda a beleza do texto ao profano mundo orkutiano, bem entendido.
Como a sinopse revela, é uma incursão ao universo feminino, com todos os pensamentos e ansiedades tipicamente femininos e a eterna busca pelo amor. Tudo com humor, o que deixou as histórias leves e divertidas.
São quatro mulheres e um homem interpretando vários personagens em pequenos quadros, ao som da trilha sonora produzida pelo mesmo Rodrigo Penna que fica lá no fundo da platéia escondido timidamente atrás do som.
O ator Murilo Grossi bem permaneceu no papel secundário de homem-gênero dentro de uma história de mulheres, aparecendo a maior parte do tempo como um ser que não compreende muita coisa, mas que acaba se rendendo às cobranças e aos caprichos das mulheres porque enfeitiçado pelos domínios femininos e que, apesar de toda a incompreensão (ou por causa dela), assim como elas, não renuncia ao desejo de viver ao lado do sexo oposto.
Uma das melhores histórias pra mim foi a da mulher prestes a subir ao altar, vestida de noiva, desabafando toda a sua dúvida em casar e em ser o noivo o homem que ela realmente desejou para si por toda a vida. Cheia de dúvidas e ponderações sobre as diferenças dos dois, ela se debate no conflito entre a vontade de viver impetuosa e destemidamente, de conhecer, de desvendar e de buscar coisas novas e a ilusória tranqüilidade trazida pela acomodação e pelo término da busca, desconfiando de que a busca tenha finalmente chegado ao fim, mas somente porque ela desistiu de encontrar o “príncipe encantado”.
Numa outra história, lendo uma carta que escreveu à sua parente contando notícias do recém-conhecido Rio de Janeiro, eis que Doris define os cariocas com a maior exatidão jamais vista dantes:
Este Rio de Janeiro é tão amostrado, Nena, que parece até que a gente tá na França de tanto canto lindo que aparece. Por outro lado, tem hora que dá pra jurar que aqui é aí, tamanha a desgraceira. O povo daqui, sendo rico ou sendo pobre, fala igualmente alto. Só não sei o motivo de tanta gritaria, se é falta de alegria ou se é falta de tristeza.
Muitas coisas realmente. Uma série de questionamentos mui salutares e despretensiosos de morais da história ou de certo e errado.
Mui Bueno!
Postado por MARIANA em 3:57 PM 0 comentários
A mente vazia é.....óóótema
Meia-noite e meia de uma terça-feira...
A Day entra no blog no Alberto (ex-BBB) e resolve comentar. Descobre então que existe um moderador que avalia os comentários antes de publicar.
Seguem os seguintes comentários:
1) Faça-nos um favor: pegue fogo. De preferência que comece pelo rabo!!! Obrigada.
2) Aposto que é o Alberto que deixa os comentários bacanas. Sempre que eu posto um comentário, o moderador me saca. Cadê a liberdade de expressão???
3) É ou não é Alberto=Moderador????
4) Aposto que você deve ficar se divertindo sacando meus comentários!!!
5) Abaixo a repressão!!!
6) Ahhh, deixa os meus comentários....só um dia!
7) Só mais uma coisa: Viva o Alemão!!!
Postado por FER em 12:40 AM 1 comentários
13 de abril de 2007
Dia do Beijo
Hoje, 13 de abril, sexta-feira treze.
Quão irônico.
Postado por MARIANA em 11:58 AM 3 comentários
9 de abril de 2007
Auto para Maria – Cordel de Amor
Pois então.
Apesar de ser deveras raro nesta vida, eis um caso em que a sinopse resume praticamente tudo o que acontece na peça. Tanto a ponto de não haver surpresas ou grandes impactos a partir de então. Mãs, vamos lá.
Tudo muito simples: Maria e José viajam pelo mundo afora para cumprir a missão que lhes foi confiada pelo Anjo, que agora vejo se tratar da “pomba do divino”, tendo como destino nada menos que cá, o nosso querido Paraná. A companhia é curitibana, nada mais natural. Para cumprir esta sua missão, o casal deve vencer as dificuldades, as intrigas, as tentações, contando por vezes com a ajuda daqueles que encontram pelo longo caminho até a terra dos pinhões.
A peça mistura atuação, música e dança, com alguns e simples recursos de palco, dentre os quais a projeção de imagens em telão. Aliás, simplicidade é a palavra de ordem aqui. E, acredito eu, que essa tenha sido mesmo a intenção do grupo. Só que, por uma questã de honestidade com o grande público, cá sou obrigada a dizer que em alguns pontos ela, a simplicidade, foi tanta, que beirou o amadorismo, pincelado por alguns momentos máximos de vergonha alheia.
Mas, não me entendam mal, que eu gostei sim de tudo isso. Não foi unânime, já digo, mas essa coisa simples deu todo um charme à coisa, que foi ela mesma uma genuína manifestação popular, como as tantas retratadas na história. E o texto escrito em cordel foi um ponto pra lá de positivo, completando este ar de tanta popularidade que presenciamos.
Não sei como funciona a escolha ou distribuição dos teatros para cada peça do Festival, mas até aí – coincidência ou não – eles acertaram, já que o Teatro Cultura é uma sala bem pequena e, não preciso dizer mas digo mesmo assim, simples.
Nada de extraordinário, mas simpática e bonita.
A peça ganhou o Troféu Gralha Azul na catigoria 'Adereço', de autoria de Andreza Crocetti que, por sua vez, também atuou na peça.
As fotos, aqui. E o site de divulgação da peça, para maiores informações, acá.
Postado por CAROLINA em 9:37 AM 2 comentários
5 de abril de 2007
Só pra variar um pouquinho,
"Às vezes lhe doía ter deixado com a sua passagem aquele riacho de miséria e às vezes sentia tanta raiva que espetava os dedos nas agulhas, porém mais lhe doía e com mais raiva ficava e mais lhe amargava o fragrante e bichado goiabal de amor que ia arrastando até a morte*."
(Márquez, Gabriel García. Cem Anos de Solidão)
* Tendo sido impossível encontrar uma expressão equivalente em português ao excelente achado literário de Gabriel García Márquez feito sobre um emprego regional (Antilhas, Colômbia e El Salvador) do "guayaba", preferimos manter a imagem acrescida desta nota: a goiaba é uma fruta que bicha com muita freqüência e sem apresentar marcas externas que sirvam de aviso à pessoa que come. A partir daí, da conotação afetiva de frustração que se desenvolveu no seu significado, a palavra passou a ser empregada em sentido figurado nas regiões da América Hispânica que assinalamos, com a denotação de "mentira","embuste". (...)
Postado por MARIANA em 9:13 AM 0 comentários
4 de abril de 2007
Olha só,
Ainda não acabou!
E é questã de honra escrever sobre as peças todas, sabem, já que o Festival além de ser o evento mais aguardado do ano aqui por nosotras, é também a nossa grande recompensa por sermos curitibanas.
A peça que fechou o nosso festival deste ano foi "Porcus (tm)" - maior descoberta do século tinha sido esse comando do Word que deixa as letrinhas sobrescritas, mas para a frustração total da pessoa, aqui, no mundo de html's não foi possível reproduzir a mesma dádiva - do grupo Antropofocus (trade mark) - óia, de novo - de Curitiba:

Com o espetáculo "Porcus(tm)", pela primeira vez estréiam nacionalmente no Festival dentro da Mostra Oficial.
A primeira das considerações a ser feita é de que já havíamos assistido à famosa e popular “Amores & Sacanagens Urbanas” no FTC de 2003, e, na época, lembro-me inclusive de ter escrito sobre a peça e de ter achado tudo um pastelão pretensioso, porque tinha sido aquele caso de quando a fama chega antes de qualquer impressão própria que a pessoa possa ter.
Muito diferentemente dessa primeira impressão do grupo, rendo-me ao talento dos rapazes e do diretor Andrei Moscheto, para reconhecer que “Porcus(tm)” marca a maturidade profissional do grupo e consegue fazer comédia com uma história absolutamente louca e inteligente, baseada em fatos e marcos da história e com nítida inspiração em obras de grandes escritores e do grupo inglês de comédia Monty Phyton.
A história parte do último dia do ano de 1989 com os grandes líderes mundiais (Gorbatchev, Bush, Thatcher, Fidel Castro, Papa João Paulo II e, por que não, Collor) reunidos para decidir o melhor, para eles. Com este intuito, decretam a exclusão de todos os indesejáveis, como os países africanos e a Argentina, e de tudo o que for elemento cultural, levando em conta a produção musical da Xuxa.
Passam a viver então nA Superfície, um mundo asséptico, onde as pessoas vivem a base de pílulas da felicidade e se referem umas às outras indistintamente por “Camarada Friend”, enquanto os indesejáveis são enviados todos para o esgoto, o mundo de Porcus. Como canal entre um mundo e outro existe o Grande Ralo.
Como recurso cênico, para os personagens viventes na Superfície são utilizadas fotografias ampliadas de seus próprios rostos como uma máscara em tamanho desproporcional ao corpo e que possui articulação na boca, sendo as vozes gravadas previamente. Algo como isso:
Um integrante da Superfície acaba caindo pelo Grande Ralo e no esgoto é encontrado por dois habitantes de Porcus que imaginam ser ele o "Messias". Daí desenvolve toda a história.
Sacada realmente genial foi a da malfadada Revolução encabeçada pelo integrante da superfície caído em Porcus e mais dois sujeitos dos esgotos ser impedida por uma artimanha de defesa do chefe dos esgotos que foi a de ligar a televisão na frente dos revoltosos quando eles se preparavam para atacar, detalhe, com uma reprise de jogo de futebol Brasil x Argentina.
Obviamente que o jogo os distraiu.
Isso muito me remete à Copa do ano passado ocorrida em meio a todos os escabrosos escândalos de corrupção do governo e que parece ter anestesiado a todos em momento bastante providencial.
Coisas do gênero acontecem aos montes em "Porcus(tm)". Mãs, conter-me-ei e não contarei mais nada. Vão conferir que vale muitíssimo a pena. Pelo que li estão todos aguardando nova temporada da peça pelas próximas semanas e, após, possivelmente eles entrem em turnê pelo Brasil.
Porque os créditos são obrigatórios e nós respeitamos o direito autoral, as fotos são daqui e daqui.
Postado por MARIANA em 3:30 PM 1 comentários
3 de abril de 2007
"Não existe bem ou mal: só conhecimento e ignorância".
Mais uma das onze peças assistidas esse ano, que pelo jeito até dezembro vamos escrever sobre, foi A sobrancelha é o bigode do olho – Uma conferência do Barão de Itararé.

Apparicio Fernando de Brinkerhoff Torelly era o seu nome verdadeiro. Viveu de 1895 a 1971. Em 1918, durante as suas férias, sofreu um derrame, abandonando a faculdade de medicina e iniciando, a partir daí, uma série de viagens pelo interior, fazendo conferências sobre diversos assuntos. Publicou vários sonetos e artigos em jornais e revistas, trabalhou em outros jornais, dentre os quais O Globo, fundando o seu próprio em 1926, "A Manha".
Em 1930, com a revolução, proclamou-se Duque de Itararé, herói da batalha que não houve. Semanas depois, rebaixou-se a Barão como prova de modéstia.
Foi preso, ao que tudo indica, duas vezes por seus ideais revolucionários publicados muitas vezes em seu jornal.
E se conta uma pequena história a seu respeito:
Corria o ano de 1928. Em Porto Alegre, uma conferência sobre pesquisa para descobrir a causa da aftosa (doença que ataca o gado) mobilizava um público atento. Getúlio Vargas, então deputado no Distrito Federal (Rio de Janeiro), estava presente. O conferencista, dono de argumentação técnica consistente, impressionava. No encerramento, disse:
— É imperioso que desenvolvamos esse tipo de pesquisa, para benefício do Brasil, pois que uma vacina eficaz contra a aftosa tem grande significado econômico.
Criado o clima de gran finale, aumentou a voltagem atmosférica, ao desafiar, subitamente:
— Afinal de contas, quem é que somos nós? Repito: quem é que somos nós?
Ato contínuo, frente a uma platéia literalmente hipnotizada, o conferencista começou a dançar e a cantar o conhecido hino: "Nós somos da pátria amada, fiéis soldados...". E dançando e cantando saiu da sala.
Daí que tudo isso faz parte da peça em questã. Um monólogo de pouco mais de uma hora, em que o Barão de Itararé é incorporado com muita propriedade pelo ator Márcio Vito, passando a divagar sobre os mais variados assuntos, demonstrar algumas de suas teorias mais mirabolantes e, acima de tudo, filosofar sobre os assuntos da vida com todo o otimismo possível ao seu público, a platéia.
Completamente à vontade no corpo do Barão, o experiente ator diverte e entretém com uma espontaneidade que só à custa de muito trabalho de pesquisa de época, costumes e da própria figura retratada, é que se adquire da maneira tão clara como foi mostrada. Muito, muito bom.
E vocês vejam né, o que não é a versatilidade da pessoa. Estávamos nós lá com o Barão de Itararé tão bem incorporado – nem falo interpretado pra não diminuir a força toda da atuação do moço – e, quando a peça acabou, me volta o ator de lá de dentro, despido completamente de seu personagem, pelo simples fato de ter tirado os óculos. Toda uma expressão que mudou, sem ele tirar praticamente nada das roupas de senhor de época, e ainda assim se via perfeitamente a diferença. Coisa de louco, a satisfação que dá neste momento.
Tão diferente a outras que vimos pela vida afora, em que nem se via o personagem, era o ator e só o ator, o mesmo que fazia a peça e aparecia depois para agradecer e dar os recados. Coisa mais sem graça, trabalho nenhum. Assim, até eu.
Ouquei, menos, menos.
Lindo o trabalho da equipe toda de não sei quantas pessoas, a interpretação do querido Marcio, e o ritmo da peça, que não caiu em um momento sequer. Porque monólogo é um perigo que só, mesmo para quem já está relativamente acostumado com o negócio.
Postado por CAROLINA em 4:52 PM 5 comentários
2 de abril de 2007
Acabou-se o que era doce.
A 16ª edição do Festival de Teatro de Curitiba chegou ao fim no domingo, dia 01/04. Triste, muito triste...
Ainda assim, temos váárias peças do último fim de semana de Festival para compartilhar com todos. Uma delas foi “Essa Nossa Juventude”, peça do americano Kenneth Lonergan cujo texto foi traduzido e produzido por Maria Luísa Mendonça e sua amiga, a dramaturgista Christiane Riera:
Edu, Denis e Jéssica estão perdidos, distantes dos pais, não muito seguros de si mesmos e ainda amedrontados com o futuro. Em apenas dois dias, o embate entre eles revela gradualmente a angústia de enfrentar o mundo lá fora por conta própria. Apesar de ainda inseguros, eles estão armados com idéias e estratégias de sobrevivência que eles mesmos desenvolveram e que provam serem muito mais sofisticadas do que seus pais imaginam, mas menos eficazes e mais perigosas do que eles esperam.
A peça busca retratar 48 horas na vida de três adolescentes na faixa dos 18 aos 20 anos. De como supostamente os adolescentes ocupam o seu tempo (todo ou quase todo ocioso) remoendo-se de inseguranças e dominados pela necessidade de se auto-afirmarem.
O jovem Denis mora sozinho num apartamento pago pelos pais, porque os pais, ao que parece, não mais queriam a presença do rapaz no convívio familiar. Denis vive de vender maconha e outras drogas aos seus amigos. Edu é um jovem, muito jovem mesmo, que, numa briga com o pai, é expulso de casa e vai se refugiar no apartamento do amigo Denis, durante o fim de semana.
Edu, antes de sair de casa, rouba um saco de dinheiro do pai e leva consigo, usando parte deste dinheiro pra pagar a dívida que tinha com o amigo Denis, pelo fornecimento assíduo de maconha.
Os dois passam então a bolar um plano para devolver todo o dinheiro roubado ao pai de Edu, sem que o pai se dê por conta do sumiço e, ao mesmo tempo, aproveitar parte da grana com alguma diversão que, obviamente, inclui muitos artigos entorpecentes, bebidas, mulheres e extravagâncias. Tudo isso imaginando lucrar em poucas horas o dobro ou o triplo do valor a ser reembolsado ao pai.
Denis faz o tipo adolescente sabichão, cheio de manha e facilidade com as mulheres. Edu faz o tipo atrapalhado, inseguro, frágil e dependente do amigo. Ambos são o resultado de famílias desestruturadas e pais ausentes.
Nada do que foi planejado por eles, como era de se esperar, dá certo, mas no meio de tudo Edu consegue ao menos se envolver com Jéssica, a terceira adolescente, com quem ensaia um início do que se poderia chamar de romance. No entanto, todos são adolescentes inábeis e problemáticos, o que significa dizer que não só não conseguem se comunicar com os pais, ou com qualquer outro adulto, como também entre eles nada engata com muita facilidade.
O texto traduzido procurou inserir as gírias e maneiras de falar típicas dos nossos adolescentes e é carregado ainda de palavrões e expressões bastante chulas.
Não é, por isso, nenhum texto que acrescente grande coisa ou mesmo desperte curiosidade em qualquer pessoa que tenha mais de 25 anos ou que não tenha filhos adolescentes e queira desesperadamente saber como eles agem quando estão entre eles. Diria que, levando em conta a peça, qualquer pai de filho adolescente deveria ficar no mínimo preocupado em como o pimpolho crescidinho anda passando o tempo.
Em vários momentos pensei estar assitindo à uma versão teatral de "Kids", excluída a problemática da aids.
Além disso, a peça é muito longa e já inicia cansativa no primeiro diálogo que bem poderia ter uns vinte ou trinta minutos a menos, sem que nada da sua essência fosse comprometido.
Na verdade, a sinopse nos induz a um erro, descoberto nos primeiros cinco minutos de peça, de serem os dramas e questões existenciais vividos pelos personagens algo de alguma relevância ou profundidade, quando, de fato, os adolescentes retratados se resumem a lamentar a indiferença dos pais, que parecem tão ou mais infantis que eles, a se meter em todo o tipo de trapalhada e a fumar maconha o dia todo.
De bom mesmo destacamos a atuação do Caio Blat, que está muito bem no papel, diga-se, imerecido, de adolescente amental, como diria a Fer.
Postado por MARIANA em 4:45 PM 1 comentários

