Charlie Gil (lê-se Guil), taxista em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia.
Segundo ele, primo do apresentador Raul Gil (o pai dele seria primo em primeiro grau).
Identificado brasileiro ao dizer: “si, si, o aeropuerto és meio longinho”.
Entre um ponto e outro da cidade que nos apresentou, ia contando piadas machistas, cortando os carros no trânsito, subindo as calçadas nas curvas, acelerando nas rodovias, até quase nos matar ao se virar todo para trás, pra fazer funcionar o vidro elétrico da janela de um carro cujos bancos eram no chão, enquanto mantinha o pé fundo no acelerador.
Pelo que foi possível perceber, fora do carro representava tanto perigo quanto dentro, já que ao avistar suposto pivete que supostamente importunaria os seus clientes, ameaçou bater nele com a garrafa de cerveja, a mesma que bebíamos em confraternização, comendo comidinhas típicas.
Na despedida, cobrou o dobro do combinado pela corrida.
Primeira grande lição:
A relação aparentemente amistosa firmada com pessoas a quem você está pagando não deve ser considerada amistosa de fato. O “Fator Gente Boa” estará neutralizado sempre que:
a) vc estiver pagando
b) vc for estrangeiro
c) vc for turista
d) todas as alternativas acima existirem conjuntamente.
29 de janeiro de 2008
Comecemos por partes...
Na tentativa de não esquecer de nenhum dos causos, de nenhuma das impressões e, principalmente, de nenhuma das pessoas que cruzaram o nosso caminho na viagem.
Mãs, tenhais paciência com esta que vos fala, que a pressa sempre foi inimiga da perfeição. Neste caso, a pressa significaria a morte matada dos fatos mais pitorescos e das sensações ainda a depurar.
Entonces, vamos lá:
De como é linda Corumbá,
onde chegamos depois de viajar a noite toda no melhor ônibus de todos os tempos, cheio de funcionalidades, com um espaço gigantesco entre as poltronas, que já eram mais largas que o normal, encosto para as pernas e, naturalmente, ar condicionado. Tudo isso me causando efusiva alegria.
Passávamos, sem saber, pelo primeiro extremo climático da viagem, que começou na sala vip da viação Andorinha, onde esperamos o ônibus por horas, assistindo ao especial do Rei na TV, abafados num calor que o mais potente ar condicionado não venceria, e terminou em tempo recorde, dando vez logo em seguida ao extremo climático inverso.
E a cidade que era para ser somente nuvem passageira e onde as circunstâncias felizmente nos obrigaram a ficar além do planejado, acabou sendo a primeira e grande boa surpresa, com os seus sobrados antigos de muros baixos, portas estreitas e mosaicos nas janelas, as árvores da rua cheias das luzes de Natal, o calor inacreditável, o nosso albergue chiquérrimo com piscina de água naturalmente morna.
Do passeio de chalana pelo Rio Paraguai, que nos proporcionou as primeiras fotos/cartão postal da viagem, o primeiro jacaré visto de perto e os bichos todos do Pantanal.
Da peixaria do Lulu e do primeiro peixe de rio; do Ney, taxista paranaense que salvou a viagem da Sio; das primeiras amizades; do primeiro desacerto.
O contraste estampado já na porta de entrada para os ‘bovilianos’ e a primeira sensação de que como o Brasil não há.
E eu que não tenho grandes simpatias por lugares quentes, me rendi ao calor de 40º à sombra e à luz do dia que faz os olhos doerem, e nem liguei pra o que não deu certo porque na verdade estava começando do modo mais acertado.
Postado por MARIANA em 6:43 PM 2 comentários
23 de janeiro de 2008
Xente xente...uma pausa para o seguinte comunicado:
De nossa querida amiga Sina (pseudônimo), notícias - acompanhadas de notas explicativas - sobre a possibilidade de celebrarmos um contrato de locação de imóvel de veraneio no próximo feriado:
"Pessoas,
Estou verificando a possibilidade de uma casa em Ingleses aproximadamente 700m da praia com 3 dormitórios pelo valor de R$250,00 por dia - R$1250,00 o período de carnaval (9 pessoas = R$ 139,00 por pessoa). Mas calma!!! Essa casa é particular, sendo assim não tem no site pra olhar. Pedi que fossem tiradas fotos e enviadas para mim. Estou aguardando o envio das mesmas.
Caso a casa seja horrível (Vamos torcer para que não!!), o Sr. Amaro informou que está sem apartamentos de 3 dormitórios para alugar. Ele ofereceu um de 2 dormitórios com 2 camas de casal e 1 de solteiro para 9 pessoas!! Achei apertado demais...colocar 9 pessoas onde deveriam ficar 5 é pedir demais!! Nesse caso a opção seria alugarmos 2 apartamentos de 2 dormitórios caso a casa não se concretize. Nesse caso cada apartamento ficaria R$1000,00 pelo período. (9 pessoas = R$222,22 por pessoa). Parece que esses apartamentos ficam na mesma região que a casa em questão.
É claro que deve ter ainda a taxa de limpeza para ambos os casos.
Vamos torcer para que a casa seja excelente, e não vamos nos decepcionar caso não seja e tenhamos que alugar os 2 apartartamentos. Lembrem-se que inicialmente estávamos prevendo 5 pessoas em 1 apartamento... o que seria R$ 200,00 por pessoa e estávamos achando ótimo. Agora poderá ficar só R$22,22 mais caro. Ou ainda pode ir mais alguém e ficar do mesmo jeito de antes só q com muito mais gente.
Beijos."
Tô boba.
Postado por MARIANA em 2:43 PM 2 comentários
21 de janeiro de 2008
O fim é belo e ...certo
Não que se queira falar de fins em período de inícios, de (re)começos e de grandes esperanças nascidas ou reforçadas pelo révelon. Mas o meu primeiro fim aconteceu já neste primeiro mês de 2008, com o fim da grande viagem aventureira que marcará os “inte”. Para os “inta” pensarei em algo tão ou mais grandioso. Porém, enquanto o seu lobo não vem, fico cá revirando as fotos, contando e lembrando causos, rindo sozinha e compartilhando as alegrias e surpresas tidas nesta viagem, absolutamente anestesiada pela realização de um plano tão aguardado e desejado.
Decretei meu período sabático de processamento das informações até que enfim estejam ordenadas as idéias. Assim, faço de conta que tamanho luxo é possível e que não há o trabalho, as obrigações, o retorno da rotina e o início brusco da engrenagem. E nem a curiosidade de Kerol e a minha auto-cobrança de colocar todas as sensações no papel.
Mas, antes disso tudo:
Postado por MARIANA em 5:26 PM 2 comentários
18 de janeiro de 2008
Fora de hora.
Daí que antes que mis amigas e compañeras queridas tragam as mileuma novidades da viagem mais super legal do século, cheias de impressões, ilustrações e comentários, deixa eu aqui postar um post (ouquei…) que já estava meio caminho pronto há duzentos e vinte e oito anos. Fora de hora, totalmente.
Mãs.
Em algum momento de novembro, fui pra Foz. Já tinha ido há dezenove alguns anos, mas realmente não me lembrava da grandeza da coisa toda. Que é grande. Deveras. E, de verdade, de tirar o fôlego. Anda-se, anda-se, anda-se, em todos os passeios e caminhos.
Com a parada anterior providencial no Paragua velho de guerra, para comprar câmera pequenina que só, então agüentem.
Águas por todos os lados, como não poderia deixar de ser.
E o Parque das Aves, que em princípio chega a dar uma agonia sem fim de ver pássaros grande e pequenos engaiolados, mas daí você chega nos viveiros mais ou menos abertos, e os animales todos passando bem ao seu lado, e tudo fica lindo.

Inclusive o pavão, que é um bicho grande que só. Muitos medos na hora que essa enormidade passa do seu (meu) lado, corajosa que sou com as cousas da natureza. Mas ele se abriu todo, vejam, e foi o melhor de tudo. Ainda mais porque com a devida distância de mi persona.
Cuja foto ficarei devendo, que achei que estava por aqui pelo escritório, mas não não.
Mas vai outro tucano então, bem lindo e desfocado, pra compensar.
Então ta, devidamente ilustrado tudo, vou fechar tudo mais cedo e vou ali na praia e já volto. Inté mais.
Postado por CAROLINA em 3:43 PM 3 comentários
4 de janeiro de 2008
As salas de espera da vida acabam trazendo gratas leituras de quando em vez, como diria minha mãe.
Essa Veja rolou por todos os lados lá em casa, e só lembrei por causa da capa, do leão que teria virado papai noel com o fim da CPMF e coisa e tal.
Mãs, texto bom, muito bom. Ainda mais para os começos de ano e suas esperanças todas tão próprias e salvadoras.
Da Lya, a Luft.
As coisas boas
Recebo e-mail de um jovem de 16 anos reclamando, num texto lúcido e bem escrito, de que sou pessimista. Pois escrevi na última coluna que "ninguém faz nada", quando, segundo ele, eu deveria dar uma mensagem esperançosa a quem quer "mudar o mundo". De alguma forma, isso me comoveu. Quase todos queremos melhorar o mundo na juventude, e é bom querer não ficar rançoso, amargo ou queixoso na idade adulta. Pior ainda, chato na velhice. Sou esperançosa e otimista, por isso mesmo não posso escrever apenas sobre coisas amenas, e infelizmente não tenho mensagem nem receita para o mundo melhorar. Pois eu sou apenas mais uma pessoa que de um lado se alegra, de outro se aflige. O número espantoso de leitores desta revista me dá uma sensação de comprometimento com a não-alienação. Escondendo a realidade é que não se vai poder mudar ou melhorar coisa nenhuma.
Acho nosso momento tristíssimo. Até jornais estrangeiros importantes, que em geral não nos dão bola, registram os fatos que andam ocorrendo no Senado e em outras instâncias solenes como "coroamento da corrupção brasileira". A impressão que se tem, que eu tenho, é que ninguém anda fazendo grande coisa, ou pouca gente faz alguma coisa para melhorar. Escrever que "ninguém faz nada" é uma hipérbole literária, é como dizer, sem realmente querer dizer isso, "morri de ódio". Acho, sim, que muitos responsáveis não fazem nada, ou fazem o mal: desviam ou aplicam de maneira irresponsável dinheiro destinado aos pobres, desprezam a educação e a cultura, cospem na saúde, enganam uma montanha (não, um verdadeiro Everest...) de gente que merecia coisa melhor.
Mas também vejo muita gente fazendo muita coisa positiva, gente querendo acertar, jovens ou velhos com esperança, pessoas espalhando o bem. Cada vez que um de nós é leal com alguém, faz uma coisa boa; cada vez que respeitamos o outro com suas diferenças, seus dramas e necessidades, fazemos uma coisa boa. Cada vez que somos decentes em vez de perversos, cada vez que cultivamos compreensão e respeito em lugar de rancor, cada vez que somos carinhosos, alegres, solidários, fazemos coisas muito boas.
Cada vez que um jovem estuda, trabalha, e se constrói como pessoa produtiva e positiva, faz algo muito bom. Cada vez que um pai presta atenção no filho, cada vez que uma mãe é dedicada sem depois cobrar isso, fazem uma coisa boa. Cada vez que alguém fuma seu último cigarro, bebe seu copo derradeiro, cheira sua ultimíssima carreirinha e dá o primeiro passo numa nova vida, faz uma coisa maravilhosa. Sempre que alguém recusa uma baforada de maconha, negando-se a homenagear os traficantes que amanhã vão matar seu filho ou trucidar seu amigo, está fazendo uma coisa muito boa.
Quando olhamos uma árvore na beira da estrada, a luz do sol num gramado, a chuva na vidraça, a criança observando um besouro, um bebê dormindo, um velho rodeado pelos filhos, estamos fazendo uma coisa muito boa; cada professor mal pago que atende com dedicação seus alunos, cada médico de uma saúde pública apodrecida que cuida com humanidade de seus doentes faz uma coisa muito boa. Sempre que uma mulher aproxima os filhos do pai mostrando que ele é um ser humano, está fazendo uma coisa boa; cada filho que abraça o pai que já não o pode sustentar faz uma coisa boa. O político que rema contra a correnteza permanecendo honrado faz uma coisa muito boa.
Fazem-se muitas coisas boas neste mundo, e por isso ainda não nos matamos. Por isso ainda estamos abertos ao belo, ao bom e ao outro. Por isso vale a pena viver. Mas, sinto muito, o ser humano é um animal predador: o desejo de destruir e arruinar coexiste em todos nós com a bondade, a decência, a dignidade. Que fazer? Somos assim. Se pudermos estar do lado do bem, querendo melhorar o mundo, viva! As coisas não estarão perdidas, a amargura não vai nos dominar, a sombra acabará fugindo da claridade, e continuaremos sendo, mais que feras, humanos. Mesmo quando alguém escreve sobre as realidades menos bonitas, elas não precisam prevalecer. E muita gente continuará fazendo muita coisa boa, aos 16 anos, aos 68 ou aos 86.
Postado por CAROLINA em 4:33 PM 1 comentários
1 de janeiro de 2008
Inícios.
O que significa que, muito em breve, o blog estará cheio de novidades mis e atualizações constantes, que imagino o que as duas não estão aprontando pela terra de nuestros hermanos. A história será re-escrita, aguardem.
Mãs. O facto é que, cá às voltas com sogra e sogro e cunhada e cunhado, acabei falhando miseravelmente em minha incumbência de mensagem de final de ano, ó vida.
Daí que, por conta disso, cá estou para ao menos deixar um alou de COMEÇO de ano, o que, vejam, é muito mais super legal e oportuno. Tudo friamente premeditado, na verdade.
E nada melhor do que, depois de vinte e cinco anos e meio de blog, fazer as devidas apresentações para o mundo virtual e real, desta vez devidamente ilustradas. Mesmo que sem autorização, que afinal eu estou aqui sozinhabandonada enquanto vocês desbravam terras desconhecidas por triiiinta dias! Mas EU tenho internet! Hahahaha! A vingança do pipoqueiro.
Brincadeira. Fé, que ninguém se zangará.
Prazer: Ferdi Maria, Merilú e yo.
E, é claro, todos os melhores desejos de um ano realmente alegre e contente, como não poderia deixar de ser, com ótemas experiências para todos, e com contentamentos tão grandes quanto ao de Merilú ali em cima, depois de receber presentes e mais presentes. Uma boa analogia esta, até. Agarrem os seus (presentes) com toda a empolgação e não soltem nunca mais, e que os frutos sejam sempre os melhores possíveis.
Postado por CAROLINA em 6:47 PM 3 comentários
19 de dezembro de 2007
O Teatro Mágico - Entrada para Raros

Tudo muito lindo realmente. Com música, com poesia, com as pessoas declamando junto, com performances teatrais, decoração e figurino circense, pirofagia, malabares e coreografia aérea no tecido vermelho.
Quando eu crescer quero ser bailarina de tecido.
Acabo de constatar que de um jeito ou de outro eu sempre quis ser bailarina, só que as variações menos convencionais do ballet. Na infância era bailarina aquática, que inclusive dava como resposta à perguntinha de sempre do ‘o que quer ser quando crescer’ dos cadernos de confidência. Em segundo lugar, lá na lanterninha, professora daí.
Mas acho que eu sempre quis foi ser bailarina de tecido mesmo. De tecido vermelho. E rodopiar pendurada no teto do Master Hall, bem no meio da platéia.
So beautiful.
Mas, voltando, pude perceber uma certa euforia do público semelhante à que acontecia outrora com Los Hermanos. O que se justifica até, já que há essa profusão de qualidades artísticas acontecendo ao mesmo tempo e agora, tudo muito encantador e cativante. Os arranjos com violinos e instrumentos de sopro, o jogo de palavras nas letras das músicas (o teu afeto me afetou é fato, agora faça me o favor / Ana e o Mar, Mar i Ana - o "i" é por minha conta, naturalmente), os palhaços e as bonecas de trapo, o lema lançado “Os opostos se distraem e os dispostos se atraem” e outras tantas características próprias firmaram sem dúvida o nascimento de uma idéia muito original e ousada. E de muito talento.
Capítulo à parte foi Dayana Kelly, cheia de opiniões, que quase me maaata de vergonha com os seus comentários sobre as figurinhas atípicas (ou bem típicas) que curtiam o show do nosso lado. Primeiro um japa tiete altamente empolgado que dava pulos de 2m, tendo ele mesmo de altura total por volta de meio metro e que falava alto, mas bem mais alto que todos, a parte declamada das canções, ao que Day incitava, batia palmas e dizia: “é isso aee, é muito fácil ser rebelde quando se tem dinheiro!”
A outra figurinha era feia por demais. Pobrezinho, mas bem feinho mesmo e foi a Day se aperceber da presença do rapaz pra dizer que ele era tão feio que ele deveria ir embora.
Tsctsctsc...
Porém, contudo, o cartaz já dizia que a entrada era para raros!
Postado por MARIANA em 4:17 PM 2 comentários
E agora, como assídua usuária dos táxis do ponto do supermercado próximo da minha casa, recebo tão doce e gentil cartão que vos passo abaixo, porque, desta vez, existiu um scanner em tempo quase real (\o/):
Acompanhado de uma caixa de chocolates e entregue via fusca na porta da minha casa pelos "meus amigos do Táxi Extra".
Que mimo!
Postado por MARIANA em 3:27 PM 1 comentários
17 de dezembro de 2007
Moscas
Moscas
Moscas
Muitas moscas
No mais, a vista é bem bonita.
Porque as moscas, naturalmente, nos acompanharam até o topo.
Impressionante.
Ao final da trilha achei que não fosse capaz de andar por vários dias. Certo é que qualquer movimento que lembrasse um degrau me causava arrepios, mas ao final de 2 dias tudo se normalizou, graças.
Postado por MARIANA em 10:11 AM 1 comentários
Todo o meu ouro por um scanner.
Quantas cousas não passaram em branco aqui pela falta de um, cês nem imaginam.
Como, por exemplo, as Dicas para uma Boa Convivência, livremente criadas pela Anna e imediatamente coladas na porta da geladeira do apartamento que alugamos para passar o carnaval na praia em 7 meninas. Carnaval de 2003.
Lembro de ter pisado na cozinha pela primeira vez e de já estarem lá os curiosos escritos pendurados na geladeira. E da Anna ter ficado muito ofendida quando começamos a rir daquilo, fato que nos impediu à época de tornar esta pérola pública. Mãs, porém, contudo, não me impediu de tirar uma foto às pressas, suando frio e em pânico de que ela me visse fazendo aquilo, com a intenção de algum dia trazer à tona momento tão único.
Dentre as orientações que incluíam os infalíveis, sujou, lave, tirou do lugar, guarde, houve uma que mereceu especial atenção já que tinha esse intuito nobre de promover a conciliação dos povos. Atenções para o item de número 6*:
*Caso alguém seja deselegante c/ vc, converse com jeito, diretamente c/ a pessoa.
A escala de limpeza vinha acompanhando as dicas. E ainda trazia o que competia à limpeza.
Dessa nem eu lembrava.
Postado por MARIANA em 9:46 AM 4 comentários
14 de dezembro de 2007
HOUVE AUMENTO NO VALOR DA MENSALIDADE DECORRENTE DE MUDANÇA NA FAIXA ETÁRIA.
Óóóóódio.
Postado por MARIANA em 6:39 PM 1 comentários
11 de dezembro de 2007
Sobrevivemos sim, Mary.
Aos trancos e barrancos, como sempre, mas sim.
Até que os trancos e os barrancos fiquem maiores e mais difíceis, ou até que se crie milagrosamente as coragens ou as vontades de mudar de verdade, ao que tudo indica assim prosseguiremos.
Não que isso seja lá uma previsão negativa, que de tudo há aprendizados novos. Acho eu.
Pra mim que foi um ano – ou talvez O ano – de total comprometimento com o trabalho. Ano de decidir de uma vez e se posicionar de acordo. Tanto que, também milagrosamente, as tais crises duvidosas de fim de ano quase que não tiveram espaço dessa vez, o que não deixa de ser um alívio. Sensação de caminho certo.
O problema é quando esse comprometimento acaba por comprometer propriamente cousas a mais do que a dedicação laboral, digamos, e vão-se todos para as saúdes da pessoa.
E problema maior, de verdade verdadeira, é quando se começa a ter um início de retorno de todo este comprometimento e a esperança de retornos maiores, que daí se vê o quanto vai ficando mais difícil se largar de vez tudo e viver de amor e pesca, como sempre foi o plano b. E que nunca passou e passará disso, um plano b, cada vez mais longe do a, que reina absoluto na vida real.
Daí que só fica aquela coisa mal resolvida dos sonhos não concretizados, e aquela nostalgia precoce e uma senilidade fora de hora.
Das viagens que não vão ser; dos exílios que não há mais tempo; dos longos períodos de despreocupação que não voltarão; e da demora em se acostumar com tudo isso; e da falta de vontade de se acostumar com tudo isso e da certeza de que ninguém jamais deve se acostumar com isso.
Tudo é questão de adaptação, acho. Mas às vezes se adaptar muito facilmente com as coisas é mais comodismo do que qualquer outra qualidade mais nobre.
Ou seja, confusão total.
De repente nem sobrevivemos, Mary. Só queremos achar que.
Questão de sobrevivência, sabe como.
Postado por CAROLINA em 8:58 PM 2 comentários
Fim de ano
Sobrevivemos?
Aparentemente sim.
Mas só aparentemente.
Trabalho demais para pessoas que só desejaram um trabalho. E não é preciso sofrer tanto só pra trabalhar, é?
Ano bastante conturbado, cheio de segundas vezes banais, cheio de pressa, de pulsações descompassadas, de coração sufocado, de cerveja além da conta, de viagens tétricas, de casamentos dos outros, de sonhos por se realizarem, de sonhos muito longe de serem realizados, de esperanças desfeitas, de quase ter uma nova vida, de vinho verde e sopa de ervilhas, de solidão, de lembrar de como eu era num passado que já é distante, de fins de semana com os amigos, de amizades confirmadas, de descobertas felizes, de correr na praça, de inventar moda, de limpeza geral, de decisões difíceis, de testar as resistências, de querer muito mais e de sair da janela e ir pra rua.
Postado por MARIANA em 10:09 AM 0 comentários
7 de dezembro de 2007
Que é, afinal, que eles queriam? Eles não sabiam, e usavam-se como quem se agarra em rochas menores até poder sozinho galgar a maior, a difícil e a impossível; usavam-se para se exercitarem na iniciação; usavam-se impacientes, ensaiando um com o outro o modo de bater asas para que enfim – cada um sozinho e liberto - pudesse dar o grande vôo solitário que também significaria o adeus um do outro. Era isso?
Clarice Lispector. A Legião Estrangeira.
Postado por FER em 1:32 PM 1 comentários
30 de novembro de 2007
Caracas ou Só me f*, Brasil
Mariana diz:
maaaaaaari
M. Urban diz:
mari do ceu
M. Urban diz:
nao to conseguindo parar de rir
Mariana diz:
por que razão?
M. Urban diz:
o diálogo da minha vó com vc está gravdo na secretaria eletronica
M. Urban diz:
hahahahahahahahahaha
Mariana diz:
hahahahahahahahaha
M. Urban diz:
alo
M. Urban diz:
alo
M. Urban diz:
alo
M. Urban diz:
alo
M. Urban diz:
fale mais alto
M. Urban diz:
por favor a mariana
M. Urban diz:
alo
M. Urban diz:
alo
Mariana diz:
hahahahahahahaha
M. Urban diz:
ah! nao to ouvindo nada...tchau
M. Urban diz:
hahahahahahahahaha
Mariana diz:
é, foi bem interessante mesmo
M. Urban diz:
li teu mail
M. Urban diz:
mari....o que sao os nomes dos nossos coléguas que eventualmente seriam interessantes?
M. Urban diz:
adauto
Mariana diz:
uilson
Mariana diz:
edcliff
M. Urban diz:
hahahahahahahhaha
M. Urban diz:
a gente só se fode, é impressionante
Mariana diz:
eu tive a pachorra de contar
Mariana diz:
são 63 mulheres para 38 homens
M. Urban diz:
pqp
M. Urban diz:
e um deles ainda é o rafael
Mariana diz:
sendo que desses 38, 22 devem ser casados, 5 gays e o restante nasceu em 1985
M. Urban diz:
hahahhahahahahaha
Mariana diz:
viu que tem um rafael de araújo nascido em 1985?
M. Urban diz:
pra variar, vai sobrar a gente ficar amiga das meninas
M. Urban diz:
nao vi
Mariana diz:
hahahahahaha
Mariana diz:
te contar
Mariana diz:
tem um chamado jamer, mari
M. Urban diz:
jamer????
M. Urban diz:
puta merda
Mariana diz:
tem uns nomes que eu não consegui definir se são homem ou mulher
Mariana diz:
na dúvida, chutei mulher, o que é sempre mais provável
M. Urban diz:
ainda mais na hora da apresentação....vai ser fuerte
M. Urban diz:
vamos inventar pseudonimos tb?!
Mariana diz:
vamos
Mariana diz:
eu posso ser sandra rosa madalena
Mariana diz:
que além de tudo tem o maior tipo de socióloga
M. Urban diz:
hahahahhahha
Mariana diz:
e vc a heloisa helena, mari
M. Urban diz:
fechou
Mariana diz:
ainda rimam, veja só
M. Urban diz:
ou heleninha roittmann
M. Urban diz:
pra dar uma desestruturada
Mariana diz:
certo beibe
Postado por MARIANA em 4:59 PM 2 comentários
28 de novembro de 2007
E daí que a audiência de sábado foi daquelas comunitárias, alguma coisa como “ação social”, com milhões e milhões de pessoas esperando se empilhando umas por sobre as outras pra fazer RG, CPF, Carteira de Trabalho e afins.
Soube até que às cinco teria um casamento comunitário.
E eu lá, às nove, pra um divórcio. Rá.
E a fila era realmente enorme, eu mesma quis sacar de mi maquininha para tirar fotos e mais fotos para dar bem a noção da situation aqui para todos, mas fiquei tímida. Afinal, apesar de pelo jeito só eu saber que era sábado, não sei bem se tamanha informalidade caberia ali, eu de dotôra e tudo mais.
Mãs.
Distribuíram lexotan grátis pros funcionários todos, só pode. Que nem todo o entusiasmo e a abstração deste mundo poderia causar tamanho efeito de simpatia, alegria e boa vontade em pleno sábado de manhã. Ao menos não ao ver a fiiila que dobrava de tamanho de minuto a minuto.
Mas tudo certo, achei a cliente em meio à multidão, foi tudo muito amigável e tranqüilo e, mais ainda, o que muito me fez enxergar que as coisas poderiam ser tão piores foi que o colega adevogado da outra parte tinha nada menos que cinco (CINCO!) audiências naquele mesmo dia, todas espalhadas, sendo a primeira às nove e a última às três. Na região metropolitana. Ou seja.
Cala-te e agradece, ingrata.
Postado por CAROLINA em 7:19 PM 0 comentários
Pra não chorar.
Manchete no correio d'O Globo in line de hoje:
Senadores terão que trabalhar segundas e sextas para aprovar CPMF.
Né.
Falei das audiências nos sábados?
*Longo suspiro*
Postado por CAROLINA em 7:04 PM 0 comentários
23 de novembro de 2007
Eu tento.
Pois olhem, eu juro que tento arranjar tempo pra escrever e contar as novidades todas. Da viagem pra Foz, no casamento do ano, dos malamados da receita que engoliram meu rico denhenhinho em impostos na aduana pela tabela abessúrda deles mesmos e das beleuzas todas da flora e da fauna local.
E de como a vida ainda anda mais corrida do que nunca e sem previsão para melhoras.
E de como as festas de final de ano se aproximam.
E essas coisas.
Mãs.
Só o que consigo pensar no momento é que nem mesmo os finais de semana estão salvos na vida da pessoa, nunca mais.
Que não contentes em não ter mais férias forenses, e de todos os prazos e audiências continuarem acontecendo sem cessar por todos os dias do ano – a exceção de míseros recessos que jamais são suficientes para colocar a casa em ordem (sendo a casa, no caso, o escritório e suas pilhas de processo que se acumulam uns sobre os outros) – e, tudo mais que agora me perdi e não sei mais o resto do raciocínio.
Mas, não contentes, esses pulhas resolveram marcar audiências nos sábados. Nos sábados. No dia sagrado de descanso e de dormir um pouco que seja até mais tarde. Mas nãããão. Não há descanso. Nunca nunquinha. Que isso é para os fracos.
Porque agora as audiências são nos sábados. Sendo que eu mesma tenho uma amanhã às nove da matina na parte da região metropolitana que menos me apetece e mais far far away da civilização, sem placas, sem direção e com o fórum recém tendo se mudado. Sendo que, por conta disso e da minha total ausência de noção de tempo e espaço, terei eu que sair de casa umas seisemeia para dar conta da coisa. No sábado, repita-se.
E, não bastasse, tenho outra, de outro assunto totalmente diferente, na capitar mesmo, que o mocinho cartorário vem me intimar por telefone, coisa que adouro. Sendo sarcástica, é claro, que neste momento as distinções são mais difíceis, que eu sei.
Daí o mocinho cartorário falou que tinha sido adiantada a audiência, que estava marcada lá por abril do ano que vem, e que como ia me intimar por telefone, ele ia ler o despacho na íntegra.
Começou com o “blábláblá blábláblá blábláblá a conciliação fica designada para o dia tal de tal às novemeia”. Daí ainda deu aquela pausa sarcástica, o fiodamãe, e continuou: “ciente as partes de que esta data é um sábado”. E o silêncio premeditado para a reação do outro lado, no caso, moi.
A diversão né. A diversão dos mocinhos cartorários em ligar pros adevogados e dar as boas novas. Vingança do pipoqueiro, como diria minha mãe.
E eu aqui, oficialmente com menos tempo do que nunca.
Mas em breve, com muita fé, mais notícias. Com mais fé ainda, boas. Prometo.
Postado por CAROLINA em 4:36 PM 2 comentários
18 de novembro de 2007
Idade da presunção: O autêntico período de presunção, nos homens de talento, está entre os vinte e seis e os trinta anos de idade; é o tempo da primeira maturação, com um forte resto de acidez. Com base no que sentem dentro de si, exigem respeito e humildade de pessoas que pouco ou nada percebem deles e, faltando isso num primeiro momento, vingam-se com aquele olhar, aquele gesto presunçoso, aquele tom de voz que um ouvido e um olho sutis reconhecem em todas as produções dessa idade, sejam poemas ou filosofias, pinturas ou composições. Homens mais velhos e mais experientes sorriem diante disso, e comovidos se recordam dessa bela idade da vida, na qual nos irritamos com a vicissitude de ser tanto e parecer tão pouco. Depois parecemos mais, é verdade – mas perdemos a boa crença de sermos muita coisa: que continuemos a ser, por toda a vida, incorrigíveis tolos vaidosos.
NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano. Um livro para espíritos livres.
Postado por FER em 1:48 PM 0 comentários