Deixemos as mulheres apenas bonitas para os homens sem imaginação.
Marcel Proust
25 de junho de 2007
22 de junho de 2007
O abandono do blog querido.
É que a coisa tá preta, minha gente. Preta mêischmo. A tendinite no pulso já denunciava o stress percorrendo o corpo da pessoa, além da mente que já não descansa, né, não tem jeito. Agora os efeitos do esgotamento estão se generalizando, ao ponto da pessoa só estar no aguardo de pifar, mas pifar assim miseravelmente, numa coisa muito óbvia e básica do desenvolvimento das atividades profissionais.
E a academia, meu deus!!!
E os exercícios físicos, sem os quais a pessoa não conseguia viver sem por muito tempo?
O horror do sedentarismo, a ausência de vontade para toda e qualquer atividade saudável e geradora de energia.
Vejam, reparem só, o início, o prenúncio do que está por vir:
Fernanda diz:
bonjour mary
Fernanda diz:
viu o email daquele cretino?
Mariana diz:
oi fer
Mariana diz:
acabei de ler
Mariana diz:
tô bufando
Fernanda diz:
é uma piada né
Mariana diz:
vou responder o email desse pulha
(...)
Mariana diz:
fer, acabei de mandar email pra ele
Mariana diz:
já chegou aí pra vc?
Fernanda diz:
chegou
Fernanda diz:
ótimo mari
Fernanda diz:
apesar de q eu acho q não vai surtir efeito nenhum
Mariana diz:
sim,
Fernanda diz:
esse idiota vai continuar tirando o corpo fora
Mariana diz:
mas que falta de tudo viu
Fernanda diz:
e mandando a gente se virar
Mariana diz:
mas vê se tem cabimento a gente simplesmente se atravessar
Mariana diz:
o professor não sabe nem de que buraco a gente saiu
Fernanda diz:
sim, bem isso
Fernanda diz:
qdo eu acho q eles já fizeram de tudo
Fernanda diz:
me vem esse pateta lavando as mãos
Mariana diz:
fer, eu tô escrevendo um email aqui pro blublublu
Mariana diz:
queimando um pouco a minha cara
Mariana diz:
um pouco mais, melhor dizendo
Fernanda diz:
aproveita pra queimar a cara da bliblibli
Fernanda diz:
diz q pedimos pro xxxx q intermediasse o contado
Fernanda diz:
mas q não obtivemos qualquer resposta
Fernanda diz:
e q estamos abandonadas a propria sorte
(...)
Mariana diz:
viu a resposta do cara?
Mariana diz:
conseguiu falar e não dizer nada
Mariana diz:
perguntei objetivamente como devemos proceder
Mariana diz:
vc entendeu o que é pra gente fazer agora?
Fernanda diz:
eu acho q ele só deve ter encaminhado o nosso email pro cara agora
Fernanda diz:
e mandou a gente se virar
Fernanda diz:
simples assim
Fernanda diz:
note q ele nunca está errado e sempre faz o q tem q ser feito
Mariana diz:
síndrome de bom moço
(...)
Mariana diz:
viu essa?
Mariana diz:
mandou agora o email pro blublublu
Mariana diz:
te contar viu
Fernanda diz:
eu disse, só depois da tua cutucada é q ele se coçou
Fernanda diz:
ahhhhhhhhhhh
Fernanda diz:
q vontade de avançar nesse mané
Mariana diz:
ave
Mariana diz:
viu isso?
Mariana diz:
agora ele desatou a escrever pros professores
Fernanda diz:
pois é
(...)
(...)
Mariana diz:
fer
Mariana diz:
fer fer fer
Mariana diz:
meu deus
Mariana diz:
diga que eu não fiz isso
Mariana diz:
diga que eu não fis
Mariana diz:
fizzzzzzzzz
Mariana diz:
isso é hora pra erros de portugues
Fernanda diz:
hã?
Fernanda diz:
do q vc tá falando?
Mariana diz:
fer de deus
Mariana diz:
eu respondi o teu email para o xxxxx menina
Mariana diz:
aquele em que vc disse que ele não teve a decência de enviar o email pro professor
Fernanda diz:
como assim?
Mariana diz:
eu não acredito
Mariana diz:
eu preciso de férias realmente
Fernanda diz:
meu deeeeeeeeeeeuuuuuussssssss
Fernanda diz:
eu te mato
Mariana diz:
olha o que eu tô fazendo
Fernanda diz:
orra, orra, orra
Mariana diz:
duas vezes ainda
Mariana diz:
não fer
Mariana diz:
mil perdões
Mariana diz:
eu quero morrer
Fernanda diz:
eu tacando a boca no cara
Mariana diz:
jesus maria josé
Mariana diz:
me desculpe
Fernanda diz:
bom, eu falei a verdade né
Fernanda diz:
ele não tinha passado email nenhum até então
Mariana diz:
sim
Mariana diz:
brincadeira isso
Mariana diz:
eu sou um perigo
Fernanda diz:
é mesmo!
Mariana diz:
eu represento perigo para os demais seres humanos
Mariana diz:
eu tenho que tirar uma licença
Mariana diz:
licença saúde
Mariana diz:
não, ...ele vai achar que eu realmente quis passar o email com o teu comentário porque foram duas vezes
Fernanda diz:
duas???????????
Fernanda diz:
ai deuso
Fernanda diz:
ai deuso
Fernanda diz:
mariana do céu
Fernanda diz:
tu me mata
Mariana diz:
eu preciso ser afastada, tô falando
Mariana diz:
eu mandei um último email agradecendo a atenção, depois que ele mandou a enxurrada de emails dele
Mariana diz:
bom, ao menos, (eu sei que não melhora muito), mas ao menos, os últimos emails foram educados
Mariana diz:
eu vou me desculpar até o fim da minha vida, viu fer
Mariana diz:
e vou ajoelhar no milho hoje
Fernanda diz:
hahahahahahaha
Fernanda diz:
eu até fui polida com ele
Fernanda diz:
pelo menos não chamei de pateta
Mariana diz:
sim, graças
Mariana diz:
graças ao bom Deus
Mariana diz:
e do jeito que ele é confuso, não vai saber quem escreveu pra quem
Mariana diz:
pode ter sido eu mesma
Postado por MARIANA em 1:53 PM 0 comentários
11 de junho de 2007
Dois ou três almoços, uns silêncios.
Fragmentos disso que chamamos de "minha vida".
Caio Fernando Abreu
Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos. Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas. Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece. De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia. Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria. Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
Postado por FER em 2:17 PM 1 comentários
8 de junho de 2007
"O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança."
Do Gabriel, o Garcia Márquez, em "Memórias de minhas putas tristes".
Postado por MARIANA em 1:29 PM 3 comentários
6 de junho de 2007
Diálogo construtivo...
Rafael diz:
e ae
Rafael diz:
vamos?
Mariana diz:
vamos
Mariana diz:
depois de mais de uma semana
Rafael diz:
deixei de ir no meu pai pra falar com vcs
Mariana diz:
muito bem!
Rafael diz:
pq estou com muita, mas muita saudades mesmo
Mariana diz:
5 estrelinhas para ti
Mariana diz:
hahahahahahahaha
Mariana diz:
siiim, mas faz mais de uma semaaana menino
Mariana diz:
trouxe teu cachecol todos os dias
Mariana diz:
e não pude entregar
Rafael diz:
hahahahah
Rafael diz:
eu pensei que nunca mais veria esse cachecol
Rafael diz:
ja tava dando ele como extraviado
Mariana diz:
nossa
Rafael diz:
hahahahaha
Mariana diz:
estando comigo jamais dê nada por perdido, mon ami
Rafael diz:
ainda bem, ainda bem
Mariana diz:
eu cuido muito bem do que não é meu e devolvo nas mesmas condições
Mariana diz:
don't worry!
Mariana diz:
be happy!
Mariana diz:
:D
Rafael diz:
I believe in you
Rafael diz:
e o feriadovisk?
Mariana diz:
trabalharei, naturalmente
Mariana diz:
e amanhã quero dormir 24 horas seguidas
Mariana diz:
e quero fazer compras no sábado
Mariana diz:
e quero férias de 30 dias agora mesmo
Rafael diz:
nossa
Rafael diz:
eu pensei em sair hj
Rafael diz:
tomar todas
Rafael diz:
amanhã, tomar todas
Rafael diz:
sexta, trabalharei tb
Rafael diz:
mas quero ver se vou no mercado municipal comprar uns vinhotes
Rafael diz:
sexta a noite, beber todas
Rafael diz:
e pegar umas muiés
Rafael diz:
sabado, idem
Mariana diz:
hahahahahahahaha
Rafael diz:
hahahahahah
Mariana diz:
uau hein
Mariana diz:
que super programação
Mariana diz:
e eu, na minha infinita ingenuidade, só queria dormir e fazer compras
Rafael diz:
pois é
Rafael diz:
mari, estou apaixonado
Mariana diz:
enquanto podia estar aí bebendo todas e pegando uns hômi
Mariana diz:
ai
Rafael diz:
essa miss brasil que ficou em vice no miss universo é demais
Mariana diz:
hahahahahahaha
Mariana diz:
é mesmo
Rafael diz:
to vendo umas fotos dela no jornal agora
Mariana diz:
excrusive, comprado aquele concursinho de meia tigela hein
Rafael diz:
diz que os seios dela sao naturais
Mariana diz:
nem a japa acreditou que ela tinha ganhado da brasileira
Rafael diz:
nao, as fotos da japa aqui mostam o como ela é feia
Rafael diz:
ela era a pior de todas
Rafael diz:
até a coreana era mais gata que ela
Mariana diz:
é, mas decerto que eles viram a beleza interioRR
Mariana diz:
e a inteligência dela
Mariana diz:
donald trump considera essas coisas tbém, ouvi falar
Rafael diz:
pelo amor de deus
Rafael diz:
miss= beleza
Rafael diz:
missa (não necessariamente) = inteligencia
Mariana diz:
pois é
Mariana diz:
faz sentido mesmo
Postado por MARIANA em 2:14 PM 2 comentários
Foi a primeira e única vez que eu fui a um show sozinha e tive uma experiência muito feliz. Obviamente que o tipo de show e o tipo de teatro ajudaram em tudo, já que a atmosfera era naturalmente introspectiva e intimista.
Lembro que na minha cadeira e nas cadeiras em volta estavam umas meninas que não haviam conseguido lugar juntas e eu disse que elas podiam ficar com a minha cadeira, sem problema, que eu trocava de lugar, ao que elas me perguntaram muito solidárias: mas vc tá soziiinhaa??
No fim, foi melhor trocar de lugar, porque aí fiquei no espaço mais alto e mais escuro do Paiol, o que (quero crer) evitou um pouco do vexame, pois eu chorava soluçado durante todo o show.
Aliás, 2002 foi o ano dos shows emocionantes e de chorar soluçado. E 2007 tem sido o ano do retorno destes artistas, com shows que infelizmente não puderam superar o impacto que os anteriores tiveram para mim. Mas é que né, ...nem poderiam.
A intensidade das coisas vividas pela primeira vez é particular e única, apenas para dizer o óbvio ululante. O tempo depois se encarrega de acrescentar a dose de nostalgia e temos cá mais um momento em nossas vidas idealizado pela saudade. Pela saudade e pela inocência. De alguma coisa tinham que servir as primeiras experiências e a inocência, afinal.
Mãs o show deste fim de semana, mais uma vez, foi emocionante, com composições do Tom de antes da bossa nova, todas músicas desconhecidas do grande público, portanto. Meus irmãos fariam um à parte aqui para dizer que sou esquisita, já que não gosto de nada do que todo mundo gosta. “Porque todo o mundo gosta” e “ninguém nunca ouviu falar dessas coisas que vc gosta”. São as frases-mãe de todo o diálogo que travo com eles sobre gostos pessoais. Eles odeiam todos os meus cds e os livros e tudo o mais do que eu goste. Diria que é um indício do meu bom gosto isso. Onde já se viu “maioria” ser pressuposto de qualidade. A maioria escolheu o Lula, não esqueçamos - só para usar o exemplo mais chocante.
Mas tá, depois do show, imbuídas de enorme boa-vontade e abertura para o mundo, fomos eu e Ferdi Maria encarar uma boate alternativa, com gente esquisita. Aí percebo que sou convencional por demais, assim, externamente, e não orno em lugares com gente esquisita, embora o lugar, a decoração, a música e mesmo o figurino do pessoal me agrade muitíssimo. Ó, o conflito lá, arrojo versus blábláblá, sempre companheiro.
É que não resisto. Pra ter uma idéia, tem até uma passagem secreta no banheiro masculino - que é uma atração por si só, já que o vaso fica um degrau acima, tipo altar, e o teto rente à cabeça, a la o meio-andar de Charlie Kaufman. Dayana Kelly mostra pra vcs - a passagem secreta, bem entendido, que fotografar o vaso não passou pela nossa cabeça na hora:
E eis o outro lado:
Que era o bar detrás, onde havia um caminho de pedras, uma bananeira de canto cheia de luzinhas e Sin City refletido no paredão.
Só aligriiia.
Postado por MARIANA em 11:53 AM 2 comentários
28 de maio de 2007
“Quem tem tique não pode jogar”.
Tudo vai bem.
Até que, nesses atendimentos mis em escala industrial, a gente atende uma pessoa com tique.
Sendo que o tique da pessoa era levantar as sobrancelhas e arregalar os olhos assim, meio que umas cinco vezes sucessivas, à medida que ia se concentrando nas perguntas e explicações todas.
Uma beleza.
E, mais ainda, de ficar como que apontando com a cabeça para o seu lado esquerdo, e meu direito. E eu olhei né, porque realmente parecia que ele estava querendo me mostrar alguma coisa praqueles lados. E olhei mais de uma vez, porque a coisa é involuntária, tanto quanto os tiques todos.
Que situaçã, pessoar, que situaçã.
Mas fui forte.
Até porque os atendimentos são sozinhos né, não há ninguém mais na sala, just the two of us, ninguém para dividir a atenção. O que, neste caso foi até bom. Porque né, as reações em massa sobre a mesma situação podem ser desastrosas.
Ainda bem também que o procedimento todo já faz parte de toda uma vida da pessoa, que a gente liga o piloto automático e vai. Sem pensar no amanhã.
E só lembrando das reações em situaçãs análogas em que Merilú estava presente e houve estragos. ‘Jisuis, se Merilú estivesse aqui!’. Como da vez do Elétrica, num dos festivais de teatro da vida, da época do blog roseroxo, ocasião em que eu estava certa que nos iam expulsar do teatro, só estava esperando o momento, e ocasião em que se iniciaram minhas aulas sobre como tapar a boca durante um ataque de riso definitivamente não é a melhor opção, pelo efeito muito mais chamativo da explosão que ocorre quando não se agüenta de jeito nenhum e aquela coisa abafada que se mistura com a risada e tudo mais. E enfim.
Entre outras menos publicáveis.
E da juventude doirada de invernos na praia em que as cousas invariavelmente se descambavam para passar as noites jogando Detetive (não o de tabuleiro, o das cartas, sabem? que tem as vítimas, o assassino e a polícia? tem isso em todo canto será?), e os ‘castigos’ todos de virar alguma coisa alcoólica garganta abaixo, e as conseqüências adolescentes todas desta tão valiosa experiência pela casa das pessoas afora.
Mãs.
Sendo que quem fosse o ‘assassino’ da vez, matava suas vítimas o mais discretamente possível, piscando para elas. Foi aí que se descobriu que uma das pessoas na mesa tinha o tal tique. Esse de piscar. Mais do que o normal, eu digo, e em seqüências mais longas, digamos. Daí que a coisa foi impossível, que essa mesma pessoa ‘matava’ todo mundo sem nem sentir, inclusive o próprio assassino, o que foi deveras confuso, somado às cousas alcoólicas garganta abaixo. E foi aí que a antológica frase aí em riba surgiu, a do título, com o perdão da piadinha interna, é claro, a qual possivelmente nem seja assim tão super engraçada, mas por essas bandas, continua fazendo o maior sucesso.
Os caminhos da mente, né. Eu em Guaratuba nos anos noventa e o atendimento rolando. Numa coisa meio sem olhar direito pra pessoa, o constrangimento todo de um e outro e aquela coisa. Mas é o máximo de controle que se consegue, porque a gente tenta, mas sem abuso.
Postado por CAROLINA em 8:12 PM 6 comentários
25 de maio de 2007
Humilhação: tropeçar na escada do trabalho e fazer um barulhão capaz de fazer as pessoas levantarem da cadeira pra vir perguntar se está tudo bem.
Humilhação suprema: seu chefe no alto da escada se agilizando pra te catar do chão.
E hj eu tô sem salto!!!!
Postado por FER em 5:17 PM 1 comentários
23 de maio de 2007
Trabalhe com um barulho desses
Aqui ao lado do escritório tem uma escolinha com berçário.
Faz duas semanas que um bebê chora ininterruptamente o dia todo.
Descobrimos que é uma menininha de três meses que foi acostumada a ficar no colo o tempo todo e que agora passa o dia no berçário.
Como as professoras querem desabituá-la do colo, ela protesta se esgoelando o tempo inteiro, eu disse o tempo INTEIRO.
Concentração amiga, cadê você???
Postado por FER em 10:12 AM 2 comentários
16 de maio de 2007
Tipo assim.
Estou viva, passo bem e tudo mais ou menos sob controle. Sei que as rugas de preocupação da multidão de fiéis leitores desfizeram-se neste momento, mãs.
E atendendo mais pessoas ao mesmo tempo do que eu mesma jamais imaginava que era possível para qualquer pessoa neste mundo afora. Logo eu, que sempre always e forever disse que se coisa houvesse, uma única, que um dia eu pudesse escolher para nunca mais fazer nesta nossa profissão da peste, seria, sem titubear, atender clientes. A ironia, ela sempre.
No entanto e porém, eis que esta experiência praticamente diária na região metropolitana de nossa capitar ecológica serviu ao menos para, de uma vez por todas – e se não fosse agora, não sei mais na vida quando diabos haveria de ser – se desenvolver toda uma paciência voluntária e não forçada em momento algum com as pessoas atendidas, tanto que a coisa deixou de ser um suplício, para ser um sofrimento mais leve um pouco. Um pouco, mas ainda assim. Nessas alturas, já é super.
O problema é o padrão das perguntas, todas iguais, por estarem todos nesta mesma situação jurídica, no caso. Sendo que por ‘todas’, eu quero dizer algumas centenas de. Para serem atendidas, uma a uma. Por moi. E por outro advogado que reveza comigo, mas isso não vem ao caso. Porque eu eu eu eu. E o padrão das dúvidas, as mesmas sempre. E as minhas respostas, as mesmas sempre. Até as piadinhas. Que eu faço piadinhas, pessoa tão descolada que sou. Sabe aqueles professores de cursinho que todo santo ano fazem as mesmas brincadeiras sobre os mesmos assuntos, para alunos que são diferentes? Então. Finalmente entendo o drama.
Mãs, tudo muito construtivo, não fossem os prazos se acumulando na mesa que fica lááá no escritório, esquecido pelas tardes na região metropolitana. Mas isso é outro detalhe não muito agradável que fica pra depois.
Sei que as forças e energias, como disse eu aí num comentário tardio aos posts todos que foram acontecendo so far away from me, vão-se todas consumidas pela ansiedade, o mal maior. Não sei se do século, mas meu eu garanto. O diacho do frio na barriga e do organismo todo em alerta alimentam-se das energias da pessoa. Bem podiam alimentar-se da gordura toda da pessoa, mas nãããão. Estas estão aí, firmes e fortes. Aliás, nada firmes, mas sempre fortes e crescentes.
Tudo assim muito muito vago, a la noche, só pra dizer que sim, I’ll survive e um belo dia eu voltarei! Fé, muita fé.
Postado por CAROLINA em 9:08 PM 1 comentários
E o cliente, então, que te dá carona até a esquina do escritório e se despede dizendo: "não vá se perder hein!"
Ps: Percebam que estou respeitando a ordem cronológica dos acontecimentos. E ainda faltam 2 horas e meia até o fim do expediente...
Postado por MARIANA em 3:35 PM 0 comentários
E o que pretende o velho que se aproxima do amigo pra cochichar alguma coisa em pleno elevador, quando no elevador estão somente eles e eu?
+_+
Güente.
Postado por MARIANA em 9:58 AM 1 comentários
14 de maio de 2007
POR UM ACASO
WISLAWA SZYMBORSKA
Postado por FER em 3:49 PM 3 comentários
9 de maio de 2007
Meu tempo é quando – parte II
Esse post tem mais ou menos um ano de atraso, porque na época, não achei que havia algo do que falar que não fosse causar forte indignação. Para a minha pessoa no caso. E para a psicologia enquanto estudo do comportamento.
Ocorre que à algumas coisas falta tanto critério e à algumas pessoas falta tanta percepção, que só nos resta rir da ironia da cousa toda.
“Inventário de Atitude do Trabalho” ou, como apelidado pelo Rafa, “Inventário mother fucker psicográfico”.
Consiste numas 48645 perguntas sobre comportamento profissional, a fim de traçar o perfil profissional da pessoa. Sim, porque hoje não se fala mais em 'talentos para determinadas áreas do conhecimento', mas sim em 'perfis para determinadas funções'. Aliás, não se fala mais em "talentos", estes foram substituídos pelas palavrinhas nada simpáticas “habilidades vendáveis”.
Pois sim. Para todas as perguntas deve ser marcada uma resposta, obrigatoriamente, ainda que nenhuma das respostas corresponda àquela que seria dada por vc. Não bastasse, as perguntas se repetem inúmeras vezes pelo teste afora, com respostas diferentes e, por vezes, opostas àquelas outras da pergunta anterior. Mais ou menos assim: numa pergunta vc assinala, contrariada, a alternativa “a”, porque na verdade ela não teria resposta pra vc, mas vc tem que responder. Mais à frente, surge a mesma pergunta, com outras respostas, opostas àquela da anterior, sendo que deve ser assinalada a que mais tem a ver com vc; em não havendo, qualquer uma, que, por isso, vai ser absolutamente oposta a alternativa “a” antes assinalada, que já tinha muito pouco a ver com vc. E assim vai.
Aí que chegou o dia da “orientação individual”, que seria a análise do resultado deste teste cujo resultado alimenta um programa que forma um gráfico. Este é o gráfico dos seus pontos fortes e fracos. São analisadas várias características divididas em grupos de “administrativas”, "interpessoais’ e “intrapessoais”.
Daí que o meu gráfico é de uma pessoa problemática, por assim dizer.
Segundo a psicóloga que aplicou o teste e depois me entregou o resultado, devidamente comentado, nas palavras da própria: existe uma "porra-lôca" dentro de mim querendo se liberar e sendo impedida pela minha ‘dificuldade em tomar decisões’, esta, por sua vez, decorrente do ‘medo da perda’.
E mais um bocado de outras coisas na mesma linha, só que mais pra baixo.
Para finalizar, sofro de um conflito existencial entre o meu ímpeto pelo arrojo e o meu conservadorismo. Trocando em miúdos, preciso de ajuda profissional. Sabe cumé, pra resolver esse "dilema interno" que está me impedindo de escolher entre um e outro.
No entanto, analisando superficialmente o meu gráfico eu mesma pude perceber que as colunas vistas assim, de maneira global, e, considerando os grupos de características, denunciavam uma série de contrariedades. Qualquer um poderia por ex. olhar o gráfico e, sem titubear, encontrar ali um conflito entre a minha vontade de ousar ou de abraçar o certo ao invés do duvidoso. Qualquer um, menos, talvez, a psicóloga.
Certo que há este conflito. Sempre houve e sempre haverá, e, até onde entendo, graças ao Senhor Jesus, que não quero mesmo optar por uma das coisas e com esta permanecer para todo o sempre. No entanto, isto não significa em absoluto todas as outras conclusões que o gráfico dela tirou por si só, consciente e sensível que não foi à pessoa que se sentou à frente dela e que disse coisas que deveriam ter sido avaliadas, quando menos, em conjunto.
Numa dessas que as pessoas menos esclarecidas entram em desajuste com as demais e caem no dilema aquele do ‘ó, como sou incompreendido’, como se houvesse compreensão no mundo e isso não fosse um falso problema, seguido de uma falsa crise.
Contudo, hoje relendo o texto e lembrando do quanto fiquei atônita e considerando o tempo que passou e as novas idéias que surgiram, devo dizer que o conflito persiste e todo o resto deve ser jogado fora, exatamente como há um ano atrás, com a diferença de que agora convivo melhor com a contradição, a minha e a dos outros.
Na minha ânsia por coerência e congruência, perdi todas as vezes em que tentei compreender o que não se compreende e justificar o que não se justifica, e ainda assim teimei nesta tarefa ingrata. Ainda teimo, na verdade, mas dou a isso menos importância, o que suavizou deveras uma porção de coisas.
E, claro, prossigo naquela do arrojo x conservadorismo, passeando pelos dois lados e tentando sair o menos chamuscada possível.
Postado por MARIANA em 5:35 PM 4 comentários
4 de maio de 2007
"Ah, meu deus, e eu ainda ensinei ela a rebater...."
Juju pegou o buquê. Ou parte dele, mas ainda assim veio certeira a florzinha vermelha diretamente para as mãos de Juju. Thi, um tanto preocupado depois de ouvir a massa gritando o seu nome, solta-me esta pérola de ainda a ter ensinado a rebater...
Nesse momento, já alterada das idéias, não pude evitar enxergar Juju tomando impulso entre as demais e rebatendo a flor que vinha em sua direção. Fato incrível este que, apesar de peculiar, seria bastante possível, já que Juju em tempos remotos, foi campeã de peteca no colégio, juntamente com Kerol, sua dupla. E a peteca que sempre me pareceu um esporte pouco útil (perdoem-me meninas) vem surpreender desta maneira mais de década depois.
Esbaldei-me de champanha e saí da festa, aliás, saímos todos, somente depois de ver os “hômi” pendurados nos lustres pra retirar as flores da decoração. Percebi que era o fim também depois do laquê me boicotar e meus cabelos começarem a desabar, dando uma aparência um tanto decadente ao visual. Afora os fios puxados do vestido graças ao contato com a minha pulseira nova que, contrariamente ao estrago, tinha o objetivo de ser a peça mais brilhante da produção.
Graças que houve este feriado de terça pra pessoa ao menos tentar se recuperar do baque, que os anos de má postura começam a pesar a esta altura da vida e minha coluna num güenta mais 10 horas seguidas de salto 15 fino.
Tem sempre aquele momento né, introspectivo, que ocorre mesmo depois de todo o álcool, em que a pessoa pára concentrada pra olhar em volta e gravar a cena e constatar com emoção que todos se encontram na mesma situação, exultantes de aligriiia. Prova disso foram as declarações de amizade e amoR que todos sentimos um pelo outro all together now que nem sempre levaram em conta as pessoas desconhecidas que eram abraçadas em conjunto.
Eu e Day, transgressoras que somos, atravessamos a área restrita ao casório e subimos as escadas do Castelo pra dar uma olhadinha nos cômodos de cima. Uma coisa realmente.
Ninguém caiu na pista, que me lembre. Vi Marcinho querido apenas se desequilibrar um minuto e quase cair pra trás, mas foi tão linda a recuperação, com a pessoa emendando um passinho em seguida e saltitando no ritmo da música até estar de pé de novo, que não se pode considerar isso uma gafe, de reito nium.
Foi o primeiro casamento da turma. Ao menos o primeiro comemorado tradicionalmente com igreja e festa. Sei não se os nouvos aproveitaram na mesma medida, mas os convidados posso garantir que sim, diante do desbunde de cores e brilhos e dos reencontros e da confraternização geral de turmas, o que tornou tudo véri véri funny.
* up date: mas veja só que orguuuulho que só agora me apercebo desta maravilha de dois dos citados no texto poderem ser linkados para os seus respectivos blogues!! Ó a evolução dos tempos!
Postado por MARIANA em 11:02 AM 6 comentários
3 de maio de 2007
Cortázar, Julio
Entre a Maga e mim cresce um canavial de palavras, estamos separados só por algumas horas e alguns quarteirões e já a minha pena se chama pena, meu amor se chama amor...Irei sentindo cada vez menos e recordando cada vez mais, mas o que é a recordação, afinal, senão o idioma dos sentimentos, um dicionário de rostos e dias e perfumes que voltam como os verbos e os adjetivos no discurso, adiantando-se disfarçados, à coisa em si, ao presente puro, entristecendo-nos ou lecionando-nos vicariamente até que o próprio ser se torna vicário, o rosto que olha para trás abre muito os olhos, o verdadeiro rosto se mancha pouco a pouco como nas velhas fotografias e Jano, de repente, é igual a qualquer um de nós. Vou dizendo isso tudo a Crevel, mas é com a Maga que estou falando, agora que estamos tão longe um do outro. E não lhe falo com as palavras que só serviriam para que não nos entendêssemos, agora que já é tarde começo a escolher outras, as dela, as envoltas naquilo que ela compreende e não tem nome, auras e tensões que crispam o ar entre dois corpos ou enchem de ouro em pó um quarto ou um verso. Mas não vivemos assim o tempo todo, lacerando-nos docemente? Não, não vivemos assim, ela quis, porém uma vez mais voltei a instalar a falsa ordem que estimula o caos, a fingir que me entregava a uma vida profunda da qual só tocava a terrível água com a ponta do pé. Existem rios metafísicos, ela nada por eles como aquela andorinha está nadando pelo ar, girando alucinada, em torno do campanário, deixando-se cair para melhor levantar com o impulso. Eu descrevo e defino e desejo esse rios; ela nada por eles. Eu os procuro, os encontro, olho-os da ponte, e ela nada por eles. E, sem o saber, igualzinha à andorinha. Não precisa saber, como eu; pode viver na desordem sem que nenhuma consciência de ordem a retenha. Essa desordem é a sua ordem misteriosa, essa boêmia do corpo e da alma que lhe abre de par em par as verdadeiras portas. A sua vida não é desordem, a não ser para mim, enterrado em preconceitos que eu desprezo e respeito ao mesmo tempo. Eu, condenado a ser absolvido irremediavelmente pela Maga, que me julga sem saber. Ah, deixa-me entrar, deixa-me ver algum dia da mesma forma como vêem os teus olhos.
Postado por FER em 9:57 AM 1 comentários
24 de abril de 2007
"Ser tolo, egoísta e ter boa saúde, eis as três condições para a felicidade. Mas, se falta a primeira, tudo está perdido."
Jose Ingenieros, em "O Homem Medíocre".
Um livro para se reler.
Postado por MARIANA em 9:34 AM 4 comentários
20 de abril de 2007
Tão pequena....é?
Eu sou só um você que você não quis
E querer é coisa tão pequena
Que só não sou você por um triz
Marcelo Camelo
Postado por FER em 11:45 PM 1 comentários
19 de abril de 2007
A Peleja do Vaqueiro Benedito contra o Capitão João Redondo e a Cobra Madalena
Espetáculo discute as relações entre as classes sociais a partir da linguagem popular do mamulengo, utilizando-se de cirandas, cantigas de roda e grandes compositores brasileiros, enquanto bonecos/ atores e atores/ bonecos contam a história de Benedito, vaqueiro brincante que luta para defender seu Boizinho Pequi das garras do Capitão João Redondo, fazendeiro ambicioso que pensa dominar e comprar tudo o que vê e deseja.
Õmmnn
Só o título já diz tudo.
Fofurinha né?
Constava como voltada para o público 'infanto-juvenil', informação esta que me passou totalmente despercebida. Mas, tudo bem, porque era mentira. Aliás, as coisas com qualidade fazem as classificações e categorizações perderem o sentido, podendo nos trazer profundidade e boas surpresas seja como for, sem preconceitos.
E o mámulêngo, o que é?
“O mamulengo é um dos mais tradicionais formatos de teatro de bonecos no Brasil. Nesse tipo de peça, é usado um palco, e atrás dele ficam os manipuladores, ou seja, as pessoas que dão voz e movimentos aos bonecos. Durante o espetáculo, a participação da platéia é essencial, pois os atores improvisam algumas cenas de acordo com as reações do público.”
Pra começar, os 3 atores/manipuladores chegaram pela porta da frente do teatro cantando e tocando tambor, pandeiro e triângulo, vestidos de uma mistura de sertanejos/artistas de rua, chamando todos a cantarem nas paradas das musiquinhas os “uuuhh!”, “eeehh!” junto com eles. Adouro. A gente se sente tão participativa, tão dentro.
O Espaço Falec tem dessas. Em outra peça que vimos lá, também uma atriz veio nos receber no corredor e foi nos acompanhando até dentro do teatro.
Atrás do palquinho armado no meio do palco real ficavam 2 dos atores/manipuladores e fora, inserindo a história e fazendo o intercâmbio entre a platéia e os bonecos, ficava outra atriz que ainda cantava e tocava pandeiro, sempre chamando o público a cantar junto e a reagir diante dos acontecimentos.
A história propriamente é muito simples: o vaqueiro Benedito, nosso herói, tentando lutar contra o poderio do capitão João Redondo, boneco este que era praticamente só barriga e que quando caía passava o maior trabalho pra se levantar, devido à sua forma arredondada.
Benedito é dono do boizinho Pequi e isto atrai a cobiça do Capitão que manda o seu capanga que manda o policial da cidade confiscar o boizinho de Benedito. Tendo Benedito se livrado com êxito de todas as tentativas de lhe tirarem o boizinho, o Capitão envia enfim a cobra Madalena, serpente monstruosa (vide foto), contra a qual Benedito não teria chances. Será?
Ao final, os atores do Grupo Roupa de Ensaio, de Brasília, se apresentaram, contaram um pouco da formação do grupo e da tradição do mamulengo, responderam perguntas e curiosidades e passaram os bonecos para que a platéia pudesse tocá-los e brincar um pouco de mámulêngo.
Tudo muito interativo e interessante, como costumam ser as manifestações tipicamente populares e regionais.
Postado por MARIANA em 11:31 AM 2 comentários
Ói nóis aqui travêis.
Deixem-me aproveitar esta brecha que Merilú deu, ao falar mais uma vez de teatro, pra continuar a saga praticamente interminável das peças do Festival. Eu sei, eu sei, monotema total. Mas a coisa não ta fácil aqui não, capanheros, que senão eu juro que escrevia tudo assim de uma só vez all together now. Mas não dá, que alguém tem que alimentar as crianças nessa vida.
Enfim, Apareceu a Margarida:
Em 1973, o teatro brasileiro conheceu o talento do dramaturgo Roberto Athayde quando "Apareceu a Margarida" ganhou os palcos numa encenação de Aderbal Freire-Filho e Marília Pêra no papel-título. Muitos prêmios e 30 anos depois, a peça volta aos palcos do Rio, com estréia dia 16 de janeiro, no Teatro Cândido Mendes. Protagonizado agora pela atriz Marília Medina, o texto do autor carioca utiliza de um humor ácido para criticar as relações de poder. A direção da montagem é do jovem ator pernambucano Bruno Garcia.Dona Margarida é uma professora ameaçadora, que passa o tempo todo questionando seus alunos. A peça revela uma mestra que seduz, humilha e abusa do poder diante de sua classe de alunos: a platéia. Durante as aulas Dona Margarida critica o uso de drogas, explica que a matemática é à base de todas as outras disciplinas e, a biologia, a ciência da vida. Ela tem uma presença magnética no palco, mas revela-se solitária.
Uma das últimas assistidas esse ano, apesar de estar tudo completamente fora de ordem nessa confusão que cá fizemos para contar tudo e mais um pouco de cada uma das peças. Que, como bem disse Merilú, agora é questã de honra.
Lá fomos para o Teatro Paiol, um de meus preferidos de todos nessa vida. Acho que a coisa de ser meio circular, e com relativamente poucos lugares, e todo aconchegante. Não há lugar em que a apresentação não seja bem vista, uma beleza.
Daí que presenciamos a Dona Margarida, nossa professora da – salvo engano – quarta série na ocasião, sendo que nós mesmos éramos os alunos, no caso. E ficou legal isso, independente de resposta ou não do público, a coisa fica infinitamente mais interativa, mais aberta a improvisações. Não que seja eu grande entusiasta das improvisações teatrais, pelo menos não ao exagero, mãs.
Dona Margarida aparece fazendo questão de ressaltar quem é que manda, exagerando nas ordens e se contradizendo o tempo inteiro sobre o que vai ser ensinado e o que é muito cedo para nós, os alunos, aprendermos. A solidão e a fragilidade da Margarida transparecem ainda mais a cada vez que ela tenta desesperadamente se impor perante a classe, sempre se referindo a si mesma na terceira pessoa, “Dona Margarida”. E tentando até mesmo seduzir, insinuar-se e se colocar como exemplo de tudo o que de melhor existe neste mondo inteiro.
Altas gargalhadas da platéia o tempo inteiro, e ‘história’ propriamente, quase nenhuma, no sentido de uma narrativa, eu digo. Porque a coisa é toda do personagem, das suas características, lembranças e a hierarquia toda de professora e alunos, sendo ela a detentora de todo o conhecimento e nós, mais uma vez, os ignorantes.
Quase nem foi preciso o diretor Bruno feiooooso que só – sendo muito irônica neste momento – ficar sentado na platéia também, rindo alto, talvez para incentivar o povo a fazer o mesmo. Porque todo mundo fez naturalmente, bem lindo.
Juro que prefiro escrever sobre as coisas logo depois de vê-las né, pelos detalhes todos que se perdem. Ainda mais tendo eu esta memória tão desprivilegiada, mas a intenção é tudo nessa vida, né mesmo?
Postado por CAROLINA em 9:41 AM 1 comentários
